quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Faz hoje um mês!

(ainda há cartazes a ser retirados)

Faz hoje exactamente um mês que a Mel num assomo de teenagerice inconsequente (é uma rebelde; a minha amiga/irmã diz que sai à mãe; a mim portanto), largou a correr e desapareceu bem debaixo dos nossos bigodes.

Faz hoje um mês que descobri amigos que não sabia ter, vizinhos trombalazanas que afinal têm coração (e dos bons), gerentes de estações de serviço que à revelia de ordens superiores não hesitaram em colar o cartaz nas suas portas (ainda que para isso tivessem que bloquear o mecanismo abre e fecha e trancar os clientes lá dentro enquanto eu colava o cartaz), gente anónima que veio para a rua procurar a Mel, motoristas de auto-reboque que bateram a estrada à procura dela, policias que levavam cartazes nos seus carros de giro, chefes de esquadra que para além de afixarem o cartaz no quadro de alertas, imprimiram mais cartazes que levaram para afixar nas zonas onde moravam, carteiros (meu querido carteiro Pedro que foi o verdadeiro Super Homem, sempre presente, sempre disponível, sempre alerta, sem nunca perder a esperança) que instruíu os colegas e lhes deu os cartazes para afixar nas suas zonas de distribuição, bombeiros que afixaram o cartaz nos seus quartéis, instrutores de cães que entraram por territórios perigosos onde sabem existir lutas de cães (sim, isto existe e alguns animais são mesmo roubados para ser utilizados tanto nas lutas como para treino) para ver se ela lá estaria, gente de bairros duvidosos que me convidou, e ajudou, a colar cartazes nas suas portas (porque lá punham tanta merda (sic) e este afinal era por uma boa causa), associações que partilharam e partilharam, blogues conhecidos, outros que eu nem conhecia, blogues mais pequenos, blogues gigantes, de todo o lado do país que não temeram desvirtuar o seu blogue ou perder visitas (afinal não era um tema simpático de ler) e publicaram o meu pedido de socorro levando a minha voz muuuuuito mais longe, facecoisos pessoais, a Margarida que com a sua Sookie pela trela e com o coração pequenino arrastou o pai para todo lado a cada pista que aparecia, a mana Sara que não dormia e só perguntava pela Mel, o Nelson, a Carla e a sua Pi, que tarde da noite a procuravam, a minha Fátima que embora nunca tento tido um animal deu colo de MÃE e a tratou enquanto eu não chegava, o Ricardo (menino de rua, praticamente sem eira nem beira) que chamava e chamava enquanto passeava os outros cães (menino esperto que fez disso a sua profissão), todas as pessoas que telefonaram com pistas, a Laurinda Ângelo e a Fernanda da Silva que a encontraram à trela pela mão do Senhor X que a recolheu da estrada... bolas!
Tanta, tanta gente (que medo de ser injusta e estar a esquecer alguém)!

Faz hoje um mês que vi a coragem e a determinação nos olhos do meu filho, a tristeza profunda, profundissima, nos olhos do meu marido (meu porto de abrigo)...
Faz hoje um mês e durante seis longos e dolorosos dias que pus à prova (sem querer, foi sem querer rapazes) a paciência de ambos.

Faz hoje um mês que à medida que as horas passavam eu me sentia cair mais e mais num poço escuro e sem fundo... e não conseguia interagir com ninguém... nem convosco meus homens... precisava de calcorrear kms, precisava de longas horas na internet, precisava de fazer muitos telefonemas...precisava tanto, tanto de a encontrar!
Desculpem-me...

Eu estava num sitio tão fundo e tão escuro... e só os vossos braços me impediram de cair ainda mais fundo...

Agora está tudo bem, a minha familia está inteira.
Foram seis longos (muito longos) dias e noites, foram seis dias e noites de enorme dor, mas foram também seis dias e noites em que estivemos rodeados de AMOR.

9 comentários:

  1. Não há nada tão reconfortante como ver a humanidade da humanidade. Tu e a Mel merecem!

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  2. Por isso que a Mel é... mel! Bjinho

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  3. Já passou. Encontraste-a e conheceste muito boa gente por aí, disposta a ajudar desinteressadamente.

    Bjs

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  4. Aposto que ela não volta a afastar-se muito de vocês! :)

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  5. E tudo está bem quando acaba bem, e esta história acabou bem - ainda bem!

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  6. Uau! Uma situação difícil e má, mas que revelou muita coisa boa!
    Apesar disso, faço votos de q nunca mais se repita!

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