Uma gaja tem uma festa daquelas em bom que, manda o figurino, se use traje a rigor e salto bem alto.
O marido dentro de um avião, o filho a jantar com os amigos ela sozinha em casa e uma gaja põe-se a pensar que assim é que é bom e que assim ninguém a chateia e pode arranjar-se nas calmas ; uma gaja maquilha-se, perfuma-se, empoleira-se nas tairocas altas, vai para enfiar o vestido e…dá-se finalmente conta que se tinha esquecido que as costas do vestido fecham de alto a baixo com, pelo menos, uns trinta botões!
Ups…
E agora?
Uma gaja despe o vestido e abotoa tantos botões quantos os possíveis para ainda assim se conseguir enfiar lá dentro; uma gaja vira os braços ao contrário e tenta de todas as maneiras, chegar aos botões nas costas e fechá-los; sua as estopinhas enquanto continua a tentar alcançar os botões e lamenta não se ter dedicado ao contorcionismo desde pequenina.
Olhando para o relógio vê que começa a atrasar-se para sair se quer chegar a tempo mas, dos botões que faltam só conseguiu apertar um que, logo a seguir, se desapertou.
Começo a passar em revista todos os cromos que moram no meu prédio e questiono-me se será muito má ideia bater-lhes à porta e pedir que me apertem o vestido.
Telefono para o filho que vai a caminho do jantar de amigos e pergunto-lhe se já está muito longe e quando me pergunta porquê explico-lhe o meu problema com os botões…se estou a falar a sério? Então não estou?!
Salva!
O rapaz, perdido de riso, volta para trás e vem apertar-me os botões do vestido.
A festa foi linda que foi, estava tudo muito bom que estava, o champanhe estava bem fresquinho e tudo e tudo e tudo mas, agora que cheguei a casa e o miúdo não está, acho que vou ter de dormir vestida...