segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

domingo, 21 de Setembro de 2014

Essa doença filha da puta atrás da qual o Diabo se esconde!

"…Foi Aureliano quem concebeu a fórmula que havia de os defender durante vários meses das evasões da memória. Descobriu-a por acaso. Perito da insónia por ter sido dos primeiros, aprendera na perfeição a arte da ourivesaria. Um dia andava à procura de uma bigorna pequena que costumava usar para laminar os metais e não se recordou do seu nome. O pai disse-lho:"Tás." Aureliano escreveu o nome num papel e colou-o na base da bigornazinha: Tás. Assim teve a certeza de não o esquecer no futuro. Não lhe ocorreu que aquela fosse a primeira manifestação do esquecimento, porque o objecto tinha um nome difícil de recordar. Mas, poucos dias depois, descobriu que tinha dificuldade em lembrar-se de quase todas as coisas do laboratório. Então marcou-as com o nome respectivo, de modo que lhe bastava ler a inscrição para as identificar. Quando o pai lhe comunicou o seu alarme por ter esquecido até os acontecimentos mais impressionantes da sua infância, Aureliano explicou-lhe o seu método e José Arcadio Buendía pô-la em prática por toda a casa, impondo-o mais tarde a toda a aldeia. Com um hissope cheio de tinta , marcou cada coisa com o seu nome: mesa, cadeira, relógio, parede, cama, caçarola. Foi ao estábulo e marcou os animais e as plantas: vaca, cabra, porco, galinha, jucá, malanga, bananeira. Pouco a pouco, estudando as infinitas possibilidades do esquecimento, deu-se conta de que podia chegar o dia em que se reconhecessem as coisas pelas inscrições mas em que não se lembrasse da sua utilidade. Então foi mais explicito. O letreiro que colocou no cachaço da vaca era uma prova exemplar de como os habitantes de Macombo estavam dispostos a lutar contra o esquecimento: É esta a vaca. É preciso ordenhá-la todas as manhãs para que dê leite e é preciso ferver o leite para o misturar com café e fazer café com leite. Assim continuaram a viver numa realidade escorregadia, momentaneamente capturada pelas palavras mas que havia de fugir-lhes irremediavelmente quando se esquecessem dos valores da letra escrita."
in Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

Cenas de gaja #9

Uma pessoa é chamada a brilhar e quer fazer bonito, botar faladura como vê os grandes fazer, vestir as palavras a rigor, calçar-lhes mesmo uns saltos altos porque a ocasião assim o pede, esgrimir argumentos, esclarecer pontos de vista, dirimir más interpretações, extinguir qualquer suspeita de mágoa ou melindre (lágrimas? uma gaja não chora pá!), mas não pode; não consegue.

Ele é Querida Mãezinha que solicita assistência porque o micro-ondas faz faíscas e acha que é melhor eu ir lá ver o que se passa (Mãezinha do meu coração eu disse que era para limpar o micro-ondas com uma esponja húmida, HÚMIDA, não encharcada!), ele é a sogra que telefona e conta tooooooooooodas as pequenas coisas do seu dia (relatando mesmo em pormenor os diálogos que teve "ele disse-me: ó Dona F, então…" e eu respondi-lhe: "Ó senhor A., você não me diga uma coisa dessas!" e ele vai e diz-me", já deu para perceber não já?), ele é a senhora da Nos que telefona para oferecer uma promoção...

É que senta uma gaja o rabiosque na secretária e alguém pergunta "O que é o almoço? ou "O que é o jantar?" ou ainda "Ó mãe, as minhas ligaduras do boxe já estão lavadas?"

E uma gaja que se irrita com tanta interrupção, agarra na bicha cadela e vai passeá-la ao jardim.

Nunca serei uma Isabel Allende...

sábado, 20 de Setembro de 2014

Onde se atribuí o título de Gaja Honorária a J. Rentes de Carvalho que assim se vê autorizado a referir-se a mim como " a gaja".

" Vidente


De facto, fosse eu vidente e muito me pouparia de desmandos, passos em falso, de a mim próprio trocar as voltas e de que confundam com más (que só de vez em quando tenho) as minhas boas intenções.

Assim acontece que, desejando tornar conhecido o apreço e o júbilo que me causa a emancipação feminina, particularmente notável num desenvolto e muito viril emprego do vernáculo, me vejo ironizado aqui, incompreendido além, informam-me de lágrimas secretamente vertidas em consequência dos meus desmandos.Para o mal feito não tenho remédio, e as promessas, minhas ou alheias, valem o que valem, mas sempre que conseguir manter-me nas estribeiras prometo que deixarei de usar a palavra "gaja" ou o seu plural, a não ser em casos extremos, como faca na garganta.

Porque me fazem saber que involuntariamente a magoei, e como, nem de longe, seria esse o meu intento, quero deixar aqui testemunho da deferência que me merece a gentil Senhora (com maiúscula, pois então) que dá por "sexinho" e tem morada em www.osexoeaidade.com.
Deferência e mais, porque há anos lhe sigo regularmente a prosa e as andanças de que dá conta, a graça com que narra as suas férias, o cómico dos seus literais apertos com vestidos de múltiplos botões nas costas, a vasta colecção de kits que guarda de inúmeras viagens transcontinentais.
Mas então não é que me maltratam, e a própria Senhora o sublinha, que maldosamente aludi a uns Louboutins que não usa e passei por alto a sua menção de O Dia Mundial da Doença de Alzheimer?
De facto para os Louboutins não encontro desculpa, mas com a doença de Alzheimer a coisa muda de figura. Talvez "Sexinho" o ignore, mas mau grado excelente saúde, na minha idade não basta dizer tarrenego ou abrenúncio, a probabilidade é grande que, sussurrando"Alzheimer!", a memória me comece a falhar e eu deixe de reconhecer a companheira de cinquenta e tal anos. E isso creio que ninguém mo deseja.
Termino. Gostaria, e assim espero, ter satisfeito gregos e tróianos, ter disperso névoas, deixar prova da admiração que "Sexinho" em particular me merece e, já agora, tornar essa admiração extensiva a todas as "gajas" do actual e antigo Portugal daquém e dalém mar. "

O miúdo é que tinha razão!

Hoje pela manhã, quando se deu o incidente do copo, o miúdo disse-me:
- Mãe, isto é um sinal; como aqueles que aparecem aos americanos nas bolachas.
A cara de Jesus inscrita a chocolate! Digo-te que isto é um sinal!
Eu, pessoa pouco crente, sorri e não voltei a lembrar-me de tal; até há pouco.

Andava eu nos meus afazeres domésticos quando me pareceu ouvir um trovão.
E logo de seguida outro e mais outro, mas nada de chuva.
Trovoada seca pensei, mas como o brrrrum continuava prestei mais atenção; e foi então que percebi que aquilo que me soava como trovões, não eram senão as vozes dos deuses.

PMS e JRC digladiavam-se!
Pensei esconder-me debaixo da cama mas depois lembrei-me que é daquelas de gavetões e nem com os pés dobrados lá caberia dentro e vi-me assim obrigada a assistir, tremendo…

E estava eu nisto, meia escondida atrás de um cadeirão, quando ouvi o meu nome referido na contenda; dizia JRC que "...é obrigatória a menção do blogue da "gaja" onde …" "descobri a palavra:osexoeaidade,blogspot.com. ..."

Arrebitei de imediato as orelhasao mesmo tempo que franzi o sobrolho; pois se por um lado o ego se me inchou (que mais pode uma gaja almejar depois de ter o seu nome mencionado no Olimpo), por outro, e dando toda a razão a PMS quando já na véspera o tinha admoestado dizendo "… Fique o meu caro J. Rentes de Carvalho sabedor que "gajas" é coisa que um homem não pode dizer. Elas, as senhoras, podem dizê-lo entre si, encolher os ombros e passar adiante. A nós não nos é permitido tal…" irritei-me um tudo nada; pois está claro, que não, não pode!
Então que é lá isso? Andámos juntos na costura?!

Mas tinha retorquido JRC, apoiando-se no seu vocabulário de infância e também evocando a prosa queirosiana, que não, que ser um gajo não significava mais do que "ser cá da malta" e que assim sendo o seu feminino não significaria menos; ora assim sendo, ó JRC, venham de lá esses ossos!

O problema é que continuando refere que a menos que ao gajo se referissem como "  "...esse gajo é um fdp…" é que a coisa seria depreciativa, e aqui atentei no "ela" ( "...andava ela então pela Holanda" ) e um amargo de fel assomou-me à boca.
Mas não durou muito tempo este fel, não, porque, gentilíssimo, JRC me refere logo de seguida como Madame ("...Incomodava-me, não a fotografia do rosto da Madame…") o que me agitou energicamente a imaginação e de imediato me vi como uma Madame Claude dos tempos modernos, comandando hordes de exclusivíssimas cocottes.
Foi de golpe que decidi que, de longe, prefiro o termo gaja (mas só eu é que posso dizer está bem)!

E estava eu nervosíssima ao saber tão ilustre visita no meu humilde estaminé - é que não estando uma pessoa avisada nem sempre tem a casa arrumada e as criadas hoje em dia são aquilo que já se sabe, e no meu caso especifico com a zuca então... ui, ui… vá que há sempre uma champanhota gelada para quem chega - mas dizia eu que estava nervosíssima quando, tristemente, me dei conta de que não era de mim que JRC falava…

Que tristeza tão grande; ai que grande dor na alma; dizem que o coração não dói, ai não, que não dói!
Punhadas, senti eu!

É que está a ver o meu amigo JRC (estamos entre gajos não é verdade), no meu estaminé não se fala de " ...Louboutins, Blhaniks,  Dior, Chanel, Lamborghinis,  Bentleys, "gente linda", resorts e champanhe…" - bom, de champanhe até se fala mas falamos também de temas tão pertinentes e actuais como o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, e eu tenho tanta, tanta pena de que, como afinal se veio a revelar, as suas visitas não sejam feitas à minha humilde morada; talvez tenha feito confusão...

Mas fica desde já o convite feito, e fique Vossência sabendo que vou imediatamente mandar a zuca limpar muito bem a casa, arejar tudo muito bem, arear tachos e panelas, escovar a gataria para dar lustro ao pêlo e dar banho à Mel - a bicha cadela cá de casa.

Dou-lhe a minha palavra d´honra que não terá com que se preocupar (e nem sequer aqueles assados que teve com o Conde de Calheiros aqui se repetirão. O seu quarto, uma vez atribuído, tal como a prateleira onde repousam os seus livros, nunca mais lhe será retirado! Nada tema).

Deixo-lhe então o meu endereço www.osexoeaidade.com , também poderá encontrar-me em osexoeaidade@gmail.com


P.S. - Mesmo "… o chapéu de ranchero paraguaio…" - que por acaso até é de Ibiza - ficará encatrafuado em sitio onde não o veja, e por isso não lhe causará qualquer incómodo.

Ambos os textos podem ser lidos na íntegra aqui e aqui.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Há coisas que nunca mudam, e ainda bem.


Agora que ainda antes de ter sido Verão, pelo menos é o que eu sinto, o Outono avançou por aqui adentro vai sendo tempo de transferir e conferir as roupas (algumas é preciso mandar limpar, apertar, alargar) para a nova estação.
E foi por causa desta "conferência" que voltei a um dos meus sitios preferidos na cidade; o Rosa&Teixeira.
Bem sei que aquilo é um feudo masculino mas que querem, adoro!
Adoro os mimos da Alicinha, do Castro, da Elsa e de todos os outros que lá estão há c´anos; adoro o toque bom de tudo em que mexo; adoro que nos recebam tão bem.
Ali um fato não é só um fato, mas algo mais.
Serviço ao Cliente?
Pfff!
Ainda andavam todos a dormir e já ali não sabiam fazer de outra maneira.

Cruz Credo!


Acabado de acordar o miúdo foi buscar um copo; antes de lhe agarrar, naturalmente olhou para ele e…
puft!
Ainda dizem que não há olhares fortes…

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Não se esqueça…


Nenhum de nós está imune à Alzheimer; já imaginou como será esquecer-se da cara da pessoa a quem mais quer?
Já imaginou como será para a pessoa a quem mais quer no mundo, saber que você já não a reconhece?
Já imaginou?

Dia 21 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer e para alertar e sensibilizar os portugueses para as causas, os efeitos e formas de redução do risco de demência, a Alzheimer Portugal lançou a campanha "Instantes".

Utilizando de forma inédita a aplicação para smartphones, Snapchat, a Alzheimer Portugal pretende, de modo muito visual, que os utilizadores experienciem a sensação por que uma pessoa com Doença de Alzheimer passa todos os dias.
Para tal, basta seguir a conta de Snapchat "Por.instantes", para receber diariamente fotografias de momentos especiais, que ficarão visíveis no seu telefone apenas durante alguns segundos.

Através do site esqueci-me.pt, envia as tuas próprias imagens de momentos marcantes para a tua rede de contactos, que ficarão visíveis para quem as recebe apenas durante alguns segundos.

Somos instantes...

O meu eterno Valmont


O que ele diz de nós.
(só não percebo porque é que uma tão grande parte de nós, não consegue "ser estrangeiro" na sua própria cidade e ver tanta beleza! Caramba, é que há tesouros por toda a parte!)

Eu avisei que isto ia dar post!

Tudo começou assim:




E em menos de cinco minutos, entre outras respostas com sugestões, aparecia esta:


Bom, tudo o que resta dizer é que fizeram o impossivel!

Em hora e meia e a partir de um printscreen ranhoso que eu lhe enviei, de um cartão que eu tinha "inventado" há séculos, e de que nem sequer me lembrava da fonte de letra que tinha utilizado, nem sequer do pantone que tinha escolhido, a Alice cheeeeeeeeeeia de paciência, ajudou-me a reproduzir o cartão, agora em condições, mandou imprimir a quantidade que eu queria e entregou-mos na morada que eu queria,  até antes da hora que era o meu dead line; e lindos de morrer!

Isto é que é Serviço ao Cliente; muito bom Serviço ao Cliente!
Obrigada Alice

P.S. Caso não tenham reparado ali na foto acima, a empresa chama-se FormaVip, Lda.