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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tenho saudades da Arábia...


Tenho muitas, muitas, MUITAS saudades da Arábia!
Tenho saudades dos cheiros, do vento sempre quente, das tempestades de areia, dos passeios no deserto, do som mágico das orações, do meu jardim, das minhas flores (será que a minha árvorezinha já cresceu), dos gatinhos, da minha praia de água transparente e quentinha (e só para mim), da tenda, de fumar o narguilé, das ladies (e da algaraviada que fazíamos), da salsa, do boy, dos sustos que, graças a Deus, nunca foram nada, de usar as minhas abayas, de andar descalça todo o dia...até da osga já tenho saudades!
Tenho mesmo saudades...muitas!


quarta-feira, 13 de março de 2013

Este meu Aladino...

Opah, desculpem-me o exercício de vaidade mas desta vez não resisto mesmo a partilhar o autefite!
Mais Que Tudo chegou-me a casa com um presente (e não foi por ser dia 13; foi só porque sim); esgadanhei o embrulho o mai rápido que pude, e o que estava lá dentro, o que era, o que era, o que era?
A mais bonita abaya a que já deitei os olhos (e o corpinho também)!
Esta!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E por debaixo da abaya...

Neste post aqui afirmei que as sauditas embora quando em público usem a abaya ou mesmo a burqa, quando em privado são vaidosas como pavões.
Se já na escolha das abayas e das burqas são exigentes e gostam de se distinguir (pelas mangas, pelos bordados, cortes no peito ou gola) por baixo destas, então não deixam mesmo os créditos por mãos alheias!
Quando nos cruzamos na rua e embora não seja de bom tom olhar, apercebemo-nos de que estão maquilhadas (muito) e que a grande maioria usa pestanas postiças (não sei se extensões ou postiças daquelas inteiras - vendem-se por toda a parte); também numa espreitadela rapida podemos perceber que muitas usam sapatos altissimos (dos caros) e jeans; no bracinho de todas andam penduradas carteiras (das boas) sempre com muitos rococós e doirados.
Nas casas de banho e nos cafés de mulheres (onde elas levantam o niqab (o véu que só deixa os olhos de fora), constatamos que estão mesmo muuuuuuito maquilhadas e com grande grau de pormenor. Curiosamente não pintam as unhas, à excepção de uma ou outra que se apresenta escurecida na ponta (ainda não percebi bem como, com quê ou porque se faz, mas vou averiguar).
A modestia é uma das qualidades mais apreciadas e por isso, e embora adorem o bling-bling, estes ficam escondidos debaixo da abaya ou da burqa.
Não tive, como é evidente, oportunidade de descascar (em sentido figurado) ou ver uma saudita descascada (literalmente) mas posso imaginar; por toda a parte (centros comerciais e lojas de rua) existem lojas de lingerie.
O acesso a estas lojas é restrito; estas lojas são family section, ou seja, só mulheres ou casais podem entrar, mas uma vez lá dentro, the sky is the limit!
Deixo-vos com uma pequena amostra do que por lá encontrei e poderão tirar as vossas próprias ilações sobre o que afinal se esconde por debaixo da abaya ou da burqa.
Aqui o meu querido lema, vicíos privados, públicas virtudes, impera!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Das Abayas (assim a armar em faxioniste)

Juro que quando aqui cheguei pensava que as abayas eram todas iguais!
Falso, muito falso!
Todas as abayas são diferentes!
Se para andar na rua todas têm de ser de cor negra, os bordados e aplicações variam imenso em cores, efeitos e tamanhos; de facto, ainda não encontrei duas iguais (nem nas ruas, nem nas lojas)!
Podem comprar-se já feitas (mas que podem ser ajustadas ao corpo da cliente), ou podem encomendar-se (taylor made) ao nosso gosto e medidas.
Cada abaya representa uma personalidade diferente, um gosto particular, afirma uma identidade!
Eu confesso-me viciada nelas; a seda fresca na pele, a suavidade e leveza dos materiais, o ondular quando caminhamos, a variedade e riqueza dos bordados e pedrarias...uma maravilha!
Alguns exemplos:

E o mesmo quanto ao corpo:
Já as de cor só deverão ser usadas em casa!
Posto isto, é facil perceber que, quando me for daqui, terei de comprar uma mala só para levar as abayas que já tenho!
Fiquem também a saber que poderão identificar-me mais facilmente na rua; eu serei AQUELA DA ABAYA!

domingo, 16 de setembro de 2012

A ver se me consigo explicar...


Este é um post dificil, várias vezes o comecei e várias vezes o suspendi e apaguei, por não saber por onde começar e por não querer ser mal entendida.
Entenda-se que não pretendo doutrinar, ou propangadear, a minha pretensão é apenas e só, a de partilhar o que vou vendo e compreendendo.
Temos noção, no Ocidente, que a Abaya e a Burqa são apenas panos pretos que as mulheres são obrigadas a usar, e que têm como finalidade, esconder a mulher.
Presumia eu que, coitadas, eram obrigadas a usar a coisa e não tugiam nem mugiam.
Primeiro erro: 
As Abayas e as Burqas não são meros panos pretos.
São feitas de belissimas sedas, têm bordados maravilhosos, mas voltarei a este tema num outro post para vos mostrar algumas (estou viciada nelas).
Segundo erro: 
Elas não são obrigadas a usar; usam porque faz parte da sua religião (e isto é como os rabos, cada um tem o seu, e todos temos um), porque é tradicional (se eu decidisse vestir-me de noiva minhota todo o ano ninguém tinha nada a ver com isso; podia parecer estranho porque não é comum, mas seria a minha vontade) e porque gostam mesmo de o fazer! Só um pequeno fait divers: há uns dias encontrámos no supermercado um colega saudita do Mais Que Tudo com a familia; a mulher deste colega proibiu-o de me cumprimentar porque eu tinha a cara descoberta!
Terceiro erro:
Não servem para esconder mas para proteger; a família é o mais importante e aqui, como aí, há gente que nada respeita, por isso há que abrigar de olhares alheios o bem mais importante, que é a mãe dos filhos (nascidos ou por nascer).
Pode ser exagerado, talvez seja para nós, mas mais uma vez, o que se disse acima sobre as religiões também se aplica às opiniões!
Nada tem a ver com o que imaginava e me transmitiram acerca da mulher ser um ser inferior ou impuro; bem pelo contrário!
Poderão usar a cara descoberta ou tapada; o cabelo, tido como uma das mais belas coisas numa mulher, deve ser usado apanhado e coberto por um véu. Apenas em casa deverá estar solto ou descoberto para não provocar tentações (com o calor que aqui faz nem me passaria pela cabeça soltá-lo, mas não preciso  de o usar coberto uma vez que não professo a mesma religião).
Por último resta dizer, que por debaixo da Abaya ou da Burqa se escondem trajes magnificos, mas esses só são vistos em casa ou entre mulheres (são vaidosas como pavões)!
Tal como eu, só quando aqui vierem compreenderão e poderão botar faladura.
Até lá, não sabemos do que falamos.
Ps- Deixem-me só ir pôr um fatinho acolchoado que já sei que vou levar porrada...

sábado, 15 de setembro de 2012

O estúdio de fotografia


E hoje foi dia de tirar fotografias para tratar dos documentos que me hão-de permitir andar entre um país e outro com maior facilidade.
Mais Que Tudo veio buscar-me com um brilhozinho nos olhos (ele conhece-me bem).
E lá fomos todos lampeiros, eu com a minha abaya nova (são uma tentação mas a seu tempo vos contarei tudo) em direcção ao senhor fotógrafo.
Logo na entrada não sabia onde parar os olhinhos; parecia-me que tinha entrado em Bollywood!
As fotos, as poses, os fundos, os cenários, os quadros que decoravam as paredes, as carpetes!
Comecei a sentir frenicoques daqueles que me levam a puxar do telemovel e a fotografar compulsivamente à direita e à esquerda, mas o Mais Que Tudo fez-me sinal com a cabeça que ainda não; podia ser ofensivo.
Afinal de contas eu estava lá para ser fotografada e não para fotografar.
Mas eu tinha que vos trazer qualquer coisinha...
E de repente, quando eu já estava em pose, com a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda (orientação do senhor fotógrafo) no melhor estilo Bollywoodano, os flashes avariaram (foi talvez a frescura da minha beleza que os estragou)!
E o artista teve de sair da sala!
Num sprint apoderei-me da minha mala, saquei do telemovel e...aqui está, para poderem ver com os vossos próprios olhinhos!

domingo, 9 de setembro de 2012

A primeira manhã


E a primeira manhã na Arábia Saudita foi ocupada em exames médicos.
Ah pois é, que eles não querem cá gente doente a infectar-lhes o deserto!
Embora tenha tido que me submeter, ainda em Portugal, a uma bateria de exames p´ro sotôr português fazer um relatório, onde se atesta e certifica que sou uma pessoa saudável e muita viçosa até, no género,  e que eles podiam passar-me o visto à confiança, os sauditas gostam de comprovar por eles mesmo.
Adiante, vai daí o meu rico Mais Que Tudo redigiu um documento autorizando o responsável por estas coisas lá na empresa, um saudita, a vir buscar-me a casa e a acompanhar-me ao Medical Centre (ah pois qu´ isto tem regras e não se pode andar p´raí com a mulher dos outros assim sem mais nem anteontem).
À hora combinada aqui tinha eu o jipão branquinho à minha espera, com o responsável lá dentro e um boy (a parte dos boys já vos conto) cá fora para me abrir a porta.
Avisada pelo Mais Que Tudo, antes de entrar perguntei se me sentava à frente ao lado, ou atrás (o costume se não for o marido a conduzir, é atrás); o responsável sorriu e disse que tanto fazia e vai daí, pimbas, no banco da frente que eu não gosto de ir de chaffeur (eu sei Tio Pipoco, uma vergonha).
Estacionado o carro, lá fomos a pé (dez a quinze passos se tanto, que eles não gostam de se mexer muito e só não entram nas salas com os carros porque não conseguem) eu de abaya atrás dele (que eles não gostam de se mexer mas andam ligeirinho e eu estava com medo de tropeçar na saia) e pelo menos duas cabeças acima da dele; a coisa dava nas vistas e as cabeças rodavam à nossa passagem (gostei)!
No Medical Centre foi tudo muito bem; limpo, organizado, com pessoal simpático, competente e rápido.
Primeiro uma sala de espera comum e depois nas diferentes especialidades, salas para homens e salas para mulheres.
Muitas mulheres estão de burqa mas também há muitas que não, limitando-se a prender o cabelo e a cobri-lo com um lenço. Ah! E sim, agora na Arábia Saudita as mulheres já vão podendo aceder ao mercado de trabalho (três vivas para o grande rei Abdallah bin Abdul Aziz Al-Saud) e o staff no Medical Centre era misto, sendo que os médicos são homens e o pessoal técnico e administrativo mulheres (escusam de vir já bater no ceguinho que as mudanças operam-se com calma e sem aparato, ok?).
Balanço final: Positivo!

sábado, 8 de setembro de 2012

Por aqui


E finalmente, ao fim de três, sim leram bem, três meses de espera, finalmente foi-me concedido o visto de entrada para o Reino da Arábia Saudita e cá vim eu, ter com o Mais Que Tudo!
Ainda vi muito pouco e os tipos não gostam de fotografias por isso serei muito cuidadosa, mas não vos deixarei sem noticias.
A vida aqui passa-se tranquilamente, as mulheres não podem sair por aí sozinhas e sim, sou obrigada a usar a abaya, e assim aproveito para fazer praia (a água deve de estar p´raí nos trinta graus e a temperatura do ar ronda os 45, com 97% de humidade (os óculos de sol ficam embaciados assim que os colocamos) aqui mesmo no condominio!
Vou só ali dar um mergulho e já volto.