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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E tudo o vento quase levava!

Tenho um silvo tão grande, tão grande enfiado na cabeça, que tenho dificuldade em ouvir os meus próprios pensamentos!
O vendaval que se levantou ontem ao final do dia intensificou-se durante a noite e assim se manteve até de manhã.
Não houve isolamento ou vidros que nos salvassem do barulho no 23º piso do hotel.
Toda a noite o vento uivou e uivou, e sentíamos as rajadas bater com estrondo nos vidros (tão fortes que uma das janelas se abriu).
Coisa de dar medo mesmo (fora de brincadeira, cheguei a temer que um dos vidros estilhaçasse e viesse parar em cima de nós), de modo que dormi, ainda mais, atracada ao meu homem.

Aaaaaah Paris, sempre a promover o romance e a paixão!

sábado, 31 de agosto de 2013

Puta que pariu, futebol clube! Que cagaço!

E hoje fomos a Delft.
Desembocando, finalmente (a estação de comboio é um bocadinho afastada e as obras ali à volta também não facilitam) na praça central logo somos atingidos pela imponência da Nieuwe Kerk (igreja nova) com a sua torre altaneira (108,75m).
Naturalmente que comecámos a visita por aí; comprámos os bilhetes (um para visitar a igreja e outro para subir à torre).
Depois de vista a igreja (raios, quem viu uma, já viu todas) lá enfiámos a chapinha que nos abriu a portinhola para subir à torre.

Uma escada estreitinha, estreitinha, em caracol com uns degraus estreitinhos, estreitinhos (uns em madeira e outros em pedra, daqueles bem polidos pelo tempo e porreiros para escorregar), e vai de subir; nesta altura eu ainda acreditava que aquilo era só para nos levar até um qualquer patamar onde estaria um elevador para nos levar ao cimo.

Sobe, sobe, ao mesmo tempo que nos afastávamos (espalmávamos contra a parede na verdade) para deixar passar quem descia; eu devia ter percebido pela cara dos que desciam brancos como a cal, mas não...continuei.
A mocinha que seguia à nossa frente com o namorado dizia-lhe "não consigo olhar para baixo (ah, esqueci-me de dizer, os degraus eram abertos) não estou a gostar disto, não estou a gostar disto"; eu ria-me para o Mais Que Tudo e continuávamos a subir, a subir, a subir... e outros a descer, a descer... e nós a espalmarmo-nos contra a parede...

E a bifa à minha frente continuava "não estou a gostar disto; não posso olhar para baixo...se deixarmos cair alguma coisa não se lhe aproveita nada"
Por esta altura eu já tinha percebido que elevador era coisa que não existia e perguntava ao Mais Que Tudo quantos degraus pensava ele que a coisa teria.
E continuámos a subir, a subir, a subir... e os outros a descer, a descer...
Achei por bem começar a controlar a respiração se queria chegar ao topo (começava a acusar algum cansaço).

Finalmente acedemos à sala do relógio onde pudemos ver o maquinismo da coisa, os sinos e...descansar um bocadinho.
E houve que continuar a subir (a bifa recusou-se a subir); os degraus estreitinhos, a escada em caracol, nós espremidos contra a parede para os outros descerem, o calor a apertar e agora uma novidade; há que passar a subir de cabeça baixa!

De x em x metros umas placas na parede têm um botão de pânico e o número a marcar em caso de emergência (Pff, pensava eu, para quê? Primeiro isto não mete medo a ninguém e depois também não dá tempo de cá chegar seja quem for, para ajudar no que seja).

E subiamos, subiamos, subiamos...e de repente uma náusea...um enjôo...e comecei a sentir uma quebra de tensão...mas se eu nem de barco enjôo... olha para longe, olha para longe, fixa a linha do horizonte (como se diz a quem enjôa no mar)...qual horizonte? Só esta parede em espiral a 5 cm da minha cara!
Mais um degrau e outro, ainda outro...o coração disparado...a dificuldade em respirar...um aperto no peito... a visão começa a fugir-me... a cabeça azamboada... FODA-SE! É UM ATAQUE DE ANSIEDADE! CLAUSTROFÓBICA! ESTOU COM UM ATAQUE DE CLAUSTROFOBIA!
E agora? QUERO SAIR DAQUI!
Continuo a subir...
Estendo a mão até à mão do Mais Que Tudo e digo-lhe o mais calma que consigo "estou a ter um ataque de pânico" (ele diz que lho disse a sorrir com o ar mais calmo do mundo; ar de parva digo eu).

Milagrosamente, um nicho na escada dá acesso a um compartimento pequenino (onde está um mecanismo qualquer que faz tic, tac, tic, tac); lá dentro, agarrado ao botão de pânico está já um homem sozinho, branco como a cal.

Tiro a mala que levo ao ombro, o casaco que tinha vestido, e abano-me com o folheto que me entregaram à entrada; ar, preciso de ar; os joelhos tremem, bem como todo o resto de mim; quero sair daqui; para sair só descendo mas acho que pioro se me meto outra vez às escadas; ar, preciso de ar!

Dentro da minha cabeça repito o mantra "está tudo bem, está tudo bem; é só a minha cabeça, não é real; está tudo bem, está tudo bem" e visualizo o mar, o meu mar azul... e ignoro o tic, tac, tic, tac, atrás de mim.

Uma claridade repentina vinda do vão da escada diz-me que há ali uma janela; preciso de ver a rua!
Vou até lá, é uma varanda, mas lembro-me que estou a 85m do chão (até onde a escada sobe; 376 degraus) e no estado em que estou ainda sou capaz de ter um ataque de vertigens (que também nunca tive, mas já estava por tudo) e por isso entro de costas só para sentir o vento; tremo, tremo... mas recupero a compostura suficiente para voltar a sair e entrar no pequeno compartimento;

Quando entro um cheiro horrível no ar; o tipo que lá estava agarrado ao botão de pânico (um espanhol soube depois) tinha-se borrado todo!

Não tenho outra solução; a única saída é para baixo; faço-me à escada com os joelhos a tremer repetindo o mantra na minha cabeça, e obrigando-me a abstrair das paredes tão próximas, sempre em espiral, sempre em espiral; Mais Que Tudo vai à frente segurando a minha mala e o meu casaco; obrigo-me a descer um degrau de cada vez espremendo-me contra a parede para que passem aqueles que sobem (familias com crianças pequenas inclusivé); à minha frente algumas pessoas descem no mesmo estado que eu dizendo "deviam avisar quando vendem os bilhetes"; verdade que deviam.

Muito a custo chego ao piso térreo, e acho que nunca saí tão depressa de um sitio.
É já no largo cá fora que começo a acalmar-me, mas os joelhos recusam-se a parar de tremer.

Se um dia forem a Delft, talvez seja melhor evitarem subir à torre.
(à esquerda o sitio onde a coisa se deu e à direita o que se via de lá de cima; o Mais Que Tudo registou porque eu não estava capaz)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quem

acordou esta noite com o trovão, filho da mãe, que aqui estourou, faz like e compartilha!

P.S.- Ai possas! Ainda estou tão baralhada com o susto, que troquei as mensagens! Esta era para o FB!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Só vos digo

que isto de estar em cima da ponte quando estala uma trovoada da imponência da de hoje, não é para meninos!
Da noite fez-se dia, com os relâmpagos a rasgar o céu;  logo de seguida estalavam os trovões que faziam tremer a ponte, trepidar os vidros do carro e me segredavam ao ouvido "és pequenina, eu, Natureza, sou bem maior"!
E eu, assumidamente pequenina, pedia ajuda a alguém maior; Santa Bárbara.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Susto!

07:30 da manhã eu e Filhinho Mais Lindo Riqueza de Sua Mãe a caminho do ponto de encontro para o Dia da Defesa Nacional (graças a Deus já não há inspecção, nem tropa obrigatória, nem nada dessas coisas)!
Chegados ao local marcado, deixo o mancebo e faço-me à auto-estrada outra vez; venho por ali fora, comendo kilómetros, distraída nos meus pensamentos, tentando perceber como raio ele ainda no outro dia usava fraldas e agora está já metido num quartel a responder com voz grossa ao chamamento da nação.
Uma carrinha de transporte de animais (em gaiolas empilhadas, um horror) segue à minha frente numa marcha sonolenta.
Um movimento no topo das gaiolas chama-me a atenção; um pato acabou de se libertar e caminha como bêbado por cima das gaiolas; percebo que mais tarde ou mais cedo vai cair... instintivamente agarro no telefone e procuro um número na traseira da camioneta para avisar; não há.
Olho pelo espelho a fila de carros lançada atrás de mim; abrando a marcha, tanto quanto possível, ligo os quatro piscas e faço sinal com a mão para que abrandem também.
O pato cai à minha frente e fica a bater as asas, mas não se põe em pé; não posso parar; não dá...numa fracção de segundo apercebo-me que se me desvio para a berma o carro que vem atrás, e não vê o mesmo que eu, passa o pato a ferro.
Cerro os dentes, rezo para que o pato não se mexa no último segundo e aponto o carro para que lhe passe por cima, mas sem lhe tocar...
Não toquei!
Vejo pelo espelho que o que fiz, foi o suficiente para travar a fila atrás de mim e para que a carrinha que me seguia páre na estrada, em segurança, e recolha o pato.
Ainda não me passou a dor de cabeça e a tremura nas pernas...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bomba!


E de repente no silêncio do serão CABUM! CABUM! CABUM!
A casa abanou três vezes!
Tremor de terra? Foguetes? Bomba?
Susto do caraças; abrimos a porta, um calor infernal e um clarão enorme!
No céu sobe uma nuvem de fumo e avistamos labaredas com uma altura de não menos de 6 metros.
A vizinhança toda na rua; toda a gente corre para a portaria; os "boys" trepam aos telhados e ali ficam empoleirados quais suricatas vigilantes!
Toda a gente de telemovel na mão filmando, tirando fotografias; mas afinal o que se passa?
Finalmente os seguranças vêm tranquilizar-nos; foi apenas a bomba de gasolina que foi pelos ares!
Porquê, quisemos saber nós e querem saber vocês; fácil!
Estes palermas abastecem enquanto fumam e, pasme-se, atiram a pirisca para o chão!
E foi isso!
Animação é coisa que aqui não falta e nem iluminação, porque até que acabe o combustivel vai continuar a arder.