Mas pensei que morria!
Queríamos ver com os nossos próprios olhinhos aquilo que dizem ser a verdadeira loucura dos YolandeUses; o fogo de artificio (eu cá não queria que tenho um medo que me pelo, mas eles eram dois - na verdade acabaram por ser 3 - e ganharam)!
O combinado então foi que sim senhora, íamos todos ver o fogo de artificio mas só ao fim do jantar que seria em casa, que eu cá tenho a mania das coisas e tradições de casa e não quero enfiar-me em nenhum hotel ou restaurante a fingir que me divirto com gente que não conheço de lado nenhum.
Chegados à vespera do dia, quer dizer da noite, o coração começou a ceder e pus-me a pensar que se calhar poderia não ser o cenário mais animado para os dois adolescentes que tinhamos connosco (Filhinho Mais Lindo convidou um amigo para vir passar uns dias por aqui e fazer a passagem de ano) e vai daí pusemo-nos à procura de um restaurante giro e com onda, mesmo aqui ao pé de casa, que o frio era de rachar e a malta aqui anda a pé ou de bicla.
À partida pensámos que não seria dificil uma vez que aqui há muitos, (mesmo muitos) o que não poderíamos imaginar era que se viria a revelar missão impossivel!
Os que não nos respondiam que estavam fechados diziam-nos que só serviam JANTARES ATÉ ÀS 17!
E como o que não tem remédio, remediado está, lá me vi eu de roda dos tachos, num dia (e noite) lindo de chuva pegada, frio com ´ó raio que o parta e com dois adolescentes a olhar pelas janelas (lá fora ouviam-se estampidos de fogo de artificio mas não o conseguiamos ver)…
Conforme o prometido e porque os miúdos estavam em pulgas, lá vestimos os casacos, gorros, luvas, tapa-orelhas, calçámos as botifarras e ala para a rua ver o fogo de artificio que ouviamos ribombar por todo o lado.
E pela primeira vez zanguei-me com os yolandeses!
Filhos de uma mão cheia de meretrizes da Babilónia!
Então não é que a brincadeira favorita destes desgraçados durante a noite da passagem de ano. é atirar com petardos, bichas de rabiar, estalinhos (estalões), e o Diabo a quatro aos pés de quem passa e aos carros?!
Juro que me pareceu estar num cenário de guerra!
Arrepiei caminho, estuguei o passo e enxotei toda a minha gente para casa; os miúdos contrariados mas a andar certinho direitinho e Mais Que Tudo a rir-se de mim (mas para dentro porque eu estava pior do que uma barata) porque sou uma caguinchas!
E sou, pois sou, mas antes uma caguinchas com a familia inteira do que uma fortalhaça aleijada e com a sua gente ferida!
De maneiras que era quase meia-noite e estávamos quatro gatos pingados em casa, dois a ver televisão, um no computador e a coisa não me estava a correr nada bem…
O Moet geladinho, os flûtes a postos, as cornetas e as passas já contadas à espera da hora, e eu sem saber como havia de animar esta tropa.
E foi quando já só faltavam uns três minutitos para a viragem do ano, que olhei pela janela e vi, finalmente, FOGO; fogo de artificio a serio! Por cima dos telhados e por todo o lado à volta da casa!
E fiz o que os maluquinhos fazem!
Vesti o casaco, enfiei o carapuço, agarrei na garrafa, enfiei as passas numa algibeira, as cornetas na outra, flûtes na mão e desatei a chamar por eles enquanto corria e saia porta das traseiras afora em direcção ao telhado!
E senhores, foi uma meia noite maravilhosa! E uma da manhã maravilhosa! E uma e meia da manhã maravilhosa, porque estes tipos não paravam de atirar fogo de artificio; das praças, das ruas, das janelas de casa!
E o fogo explodia por cima da nossa cabeça, atrás de nós, ao nosso lado, à nossa frente e nós não sabíamos para onde olhar e corríamos, corríamos de um lado para o outro (tanto fugindo de um fogo demasiado próximo, como para outra ponta para ver melhor um que estava mais longe)!
E vá, lá fiz as pazes com os yolandeses.