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terça-feira, 11 de junho de 2013

E queixamo-nos nós!

Aqui queixamo-nos (e com razão) deste tempo bipolar; ora faz frio, ora faz calor... mas o que hão-de dizer os húngaros?
Pessoal, aquilo está tudo debaixo de água!
Acabo de saber que este restaurante mimoso, onde passámos tão bons pedaços, também já foi invadido pelas águas...e está numa margem alta!
Ai Danúbio, Danúbio...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ai a minha cabeça!

E hoje, finalmente, fiz o gosto ao dedo, que é como quem diz aos olhos.
Andava já há 3 anos para conseguir ver a Biblioteca de Kalocsa; de cada vez que lá ia "ai que estamos em obras de restauro", "ai que agora são os jardins", "ai, que não está o senhor guia", ai que isto, ai que aquilo, e eu sem lá conseguir entrar!
Mas hoje foi o dia!
Na recepção nem uma alma fala inglês (como de resto não fala praticamente ninguém nesta terra; um bocadinho de alemão, e só alguns e já é um pau), lá me expliquei por gestos (um dedo a apontar para os olhos, as mãos a fingir que folheiam um livro, um grande sorriso) e parece que me fiz entender.
Paga lá o bilhetinho em forints e espera aqui que o guia já vem.
Vinte minutos (bem aviados) depois, lá chega um senhor muito afogueado; baixinho, redondinho, a suar em bica de cada poro que tinha, e atracado ao lenço com que limpava incansavelmente a testa fez questão de me pôr logo à vontade "no english"!
Ok, está bem, isto vai ser giro.
Com passadas incrivelmente largas para o tamanho das suas pernitas, lá demos inicio ao périplo; a cada canto, estante ou porta que passávamos ele detinha-se e fazia questão de me explicar MUITO ALTO e em húngaro, o que estávamos a ver!
Eu já tinha visto esta técnica em acção; Querida Mãezinha quando interpelada por estrangeiros para lhe pedirem orientação nas ruas, e por não falar mais do que o português, fala-lhes também muito alto, convencida que me parece estar de que os estrangeiros não a entendem, não por não falarem a mesma língua, mas porque são surdos...
E assim fomos avançando de corredor em corredor, eu cada vez mais emocionada (senhores! naquela biblioteca repousam obras valiosissimas; tratados únicos no Mundo; leis, astronomia, medicina... aquelas páginas viram já centenas e centenas de anos, e de pessoas...e reduzem-me à insignificancia do que sou; apenas mais uma pessoa que viverá e morrerá enquanto elas se manterão cheias de palavras vivas! É avassalador!) e ele cada vez mais entusiasmado ao ver a minha comoção, aumentava o tom de voz proporcionalmente ao valor da obra que estávamos a ver!
E enquanto isto agitava muito os bracinhos redondos, suava cada vez mais e gritava, gritava...e eu tentava a cada livro ler o nome do autor, traduzir do latim (sei lá eu latim) o nome da obra e quando o conseguia, sentia-me como as damas antigas que espremidas nos seus espartilhos, não logravam respirar e feneciam...
O húngaro estava louco! Agitadissimo! Movia-se por entre as estantes, quase saltitando, rebolando os olhos nas órbitas redondinhas, apontando e gritando o nome (penso eu) do que estávamos a ver e repetindo uma e outra e outra vez, assentindo com a cabeça, para se assegurar que eu compreendia (nada) o que me dizia.
Quando foi interrompido por duas anafadas senhoras que se queriam juntar a nós, olhou-as com ar assassino (juro que sim), baixou a voz e sibilou-lhes qualquer coisa rispida que as deixou com ar chocado (não sei o que foi que lhes disse) e fez-lhes gestos para se afastarem, com as mãos.
Entusiasmado o húngaro, com as emoções que eu não conseguia esconder, tomou-se de brios, baixou a voz e num sussurro, com uma piscadela de olho malandra, convidou-me a entrar numa câmara pequenina, chamando-me com a mão...estava escuro, muito escuro e ele acendeu uma luzinha e eu pude ver; dentro de um armário com luz, temperatura e humidade regulada estava a piéce de résistance de toda a biblioteca!
Um codice (como é que se traduz isto) muito antigo! Século VI li eu...ele abriu o armário, tirou o livro como quem pega numa borboleta e...passou-mo para a mão!
Uma vergonha senhores!
Arfei de comoção e as lágrimas tomaram-me os olhos de assalto (o primeiro a gozar leva uma chapada porque eu estava mesmo esmagada sob o peso do que me era permitido tocar), tive medo de molhar as páginas e devolvi-lho de imediato.
Saí soluçando de emoção e levei um bom tempo a recompôr-me.
Uma vergonha senhores, uma vergonha...
P.S- ainda lhe oiço a voz a ressoar dentro da minha cabeça...



E o que vês da tua janela, Sexinho?

Apenas o relógio que assinala a passagem das horas com os seus sininhos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Fomos matar saudades

Já em Kalocsa e depois de pousar os tarecos no hotel, fomos jantar a um pequeno restaurante onde costumávamos ir.
É um restaurante muito simples, todo em madeirinha, numa das margens do Danúbio.
Quando os dias já estão bonitos, como é agora o caso, é uma delicia jantar ali.
Pedimos um goulash e mais umas quantas coisas impronunciáveis, cheinhas de consoantes (que raio fizeram os húngaros às vogais?) e assistimos ao espectáculo do fim do dia.

E antes de jantar

uma passagem rápida por Pécks só para verificar se o cadeado que há uns anos ali pusemos com os nossos nomes (love padlock), ainda lá estava.
Confirma-se!
No meio de toda esta confusão que já lá está:


O nosso ali está de pedra e cal (que é como que diz de ferro); como nós!

Estou que não posso com as cruzes!

Mais uma moeda, mais uma voltinha!
Saimos de Amsterdam com frio e chuva miudinha e viemos encontrar um dia lindo e cheio de Sol em Budapeste (graças a Deus e ao senhor comandante o avião hoje veio sugadito, e não s´abanicou)!
Mas a viagem ainda não terminou; agora é agarrar no carro e conduzir até uma cidadezinha interior que outrora já foi capital do país!
Uma cidade adorada por Sissi e onde até os edificios se mantêm ainda pintados na sua cor preferida; Kalosca, hoje em dia apenas conhecida pela indústria da paprika (quem se lembra da paprika?)
Até jazz.