quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A praxe em Delft


Não sei como são as praxes nos outros países e nem sequer sei se as há em todas as cidades universitárias, em todos os países (Luna, como é em Leiden? Espresso como é em Utrecht? Paula como é na Alemanha? Ruiva, e na cidade das acácias? Corisca, como é na terra de Metadinha? Clementine, como é na terra de nuestros hermanos? Gentes que estão por aí a ler noutras partes do mundo, como é por aí?); o que sei é que em Delft tropecei num grupo, de que já aqui falei, de adolescentes que de mochila às costas e em grupos andavam pela cidade. Pensei que se tratasse de uma peregrinação (tipo Santiago de Compostela, Fátima, ou isso)
Curiosa como sou, não descansei enquanto não descobri do que se tratava; pois então era isto.
Dez dias antes de começar o calendário escolar, todos os novos alunos (em grupos não muito grandes; 6, 7, 8) são convidados a conhecer a cidade que os acolhe; a condição é manter a roupa com que deram inicio ao périplo (não a podem lavar durante esses dias).
E é vê-los a caminhar calmamente pela cidade, de mochila às costas (todas iguais com um simbolo que os indentifica), e roteiros na mão, sujinhos, sujinhos, mas calmos e bem dispostos.
E isto a mim, parece-me bem!

Respostas:
Viena check
Alemanha check
Moçambique check
Itália check
Holanda, Utrecht check
Bélgica, Louvain-la-Neuve check

10 comentários:

  1. Que eu saiba aqui em Viena não há nada que se pareça com praxe. Mas a propósito dos acontecimentos do Meco, estava a tentar explicar o conceito de praxe aos meus alunos e eles associaram-no a "ritual de iniciação", que eu reformulei em "pseudo-ritual-de-integração-que-frequentemente-não-passa-de-humilhação-gratuita".

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  2. O que conheço daqui é o que sei através de sobrinhos universitários e nunca ouvi nada que possa comparar à anormalidade das praxes em Portugal. Só para "tirar teimas" telefonei a um deles, que está em Colónia no 1º, ano e olha que não foi fácil explicar-lhe o que queria dizer com "praxe" (em alemão) . Isto só por si já deve ser o suficiente para confirmar que não existe. Tirando isso, nunca ouvi nem da boca de conhecidos nem na imprensa qualquer referência ao assunto.

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  3. Em relação a Moçambique, só vi uma coisa parecida numa universidade em que dou aulas: um dia um suposta comissão de praxe entrou-me pela sala dentro e disse-me que nesse dia não havia aulas porque todos os caloiros da universidade iam ser praxados... Os meus alunos protestaram por não irem ter aula (acho que foi a primeira e única vez que o fizeram...) e eu disse-lhes que que pelos vistos eu não ia poder dar aula (ao lado da minha janela estava a ser montado um palco e aparelhagem), mas que deixava ao critério deles - expliquei-lhes que eu fui praxada e que recusei algumas praxes quando as achava um atentado à minha pessoa e que daí não veio mal ao mundo (apenas algumas cenas muito cómicas que ainda hoje recordo)... O pessoal saiu da sala e eu com ele (parte gratificante - pelo menos para o meu ego - foi quando uma aluna me tentou praxar por pensar que eu era aluna novinha... :D ), pelo que vi do meu poiso no bar, onde estava com colegas professores, os caloiros, todos de txirt igual, fizeram umas palhaçadas e um pseudo juramento e levaram com uma mangueirada de água e tintas durante um dia e a coisa não passou daí...
    Em Itália, Bolonha, quando lá estudei também não vi praxes, o que vi foi o pessoal vestido com roupas ridículas e a fazer cenas ridículas no dia em que defendiam a tese (depois de a defenderam e obviamente serem considerados licenciados), com os amigos a ajudar à festa (como se fosse um adeus à academia e um regabofe de iniciação à vida adulta)...
    Esclarecida?

    Beijos da cidade das acácias,

    Ruiva

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  4. Pois é Sexinho, praxe é uma coisa que nunca assisti aqui na Holanda, e sendo Utrecht uma cidade universitaria até seria bastante provavel. A verdade é que nunca ouvi historias dos meus amigos que estudaram aqui sobre praxes como se ouve em Portugal, portanto assumo que mesmo que existam uma brincadeiras, serão apenas isso brincadeiras. Será que existe uma figura como a comissao de praxes/ integração de caloiros? Vou tentar descobrir! Honestamente o acontecimento tragico no Meco mexeu tambem comigo...acredito que a pressão grupal tem muito impacto. Muitas pessoas querem-se integrar, quer pertencer e fazem coisas parvas...a praxe como tradicao de humilhacao devia acabar, devia-se pensar em actividades com piada e que intregrassem realmente os novos alunos no espirito da nova faculdade e que os ajudassem a fazer amigos...

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  5. Em Louvain-la-Neuve, Bélgica, onde fiz Erasmus vi praxes tal e qual como em Portugal...

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