sábado, 20 de setembro de 2014

O miúdo é que tinha razão!

Hoje pela manhã, quando se deu o incidente do copo, o miúdo disse-me:
- Mãe, isto é um sinal; como aqueles que aparecem aos americanos nas bolachas.
A cara de Jesus inscrita a chocolate! Digo-te que isto é um sinal!
Eu, pessoa pouco crente, sorri e não voltei a lembrar-me de tal; até há pouco.

Andava eu nos meus afazeres domésticos quando me pareceu ouvir um trovão.
E logo de seguida outro e mais outro, mas nada de chuva.
Trovoada seca pensei, mas como o brrrrum continuava prestei mais atenção; e foi então que percebi que aquilo que me soava como trovões, não eram senão as vozes dos deuses.

PMS e JRC digladiavam-se!
Pensei esconder-me debaixo da cama mas depois lembrei-me que é daquelas de gavetões e nem com os pés dobrados lá caberia dentro e vi-me assim obrigada a assistir, tremendo…

E estava eu nisto, meia escondida atrás de um cadeirão, quando ouvi o meu nome referido na contenda; dizia JRC que "...é obrigatória a menção do blogue da "gaja" onde …" "descobri a palavra:osexoeaidade,blogspot.com. ..."

Arrebitei de imediato as orelhasao mesmo tempo que franzi o sobrolho; pois se por um lado o ego se me inchou (que mais pode uma gaja almejar depois de ter o seu nome mencionado no Olimpo), por outro, e dando toda a razão a PMS quando já na véspera o tinha admoestado dizendo "… Fique o meu caro J. Rentes de Carvalho sabedor que "gajas" é coisa que um homem não pode dizer. Elas, as senhoras, podem dizê-lo entre si, encolher os ombros e passar adiante. A nós não nos é permitido tal…" irritei-me um tudo nada; pois está claro, que não, não pode!
Então que é lá isso? Andámos juntos na costura?!

Mas tinha retorquido JRC, apoiando-se no seu vocabulário de infância e também evocando a prosa queirosiana, que não, que ser um gajo não significava mais do que "ser cá da malta" e que assim sendo o seu feminino não significaria menos; ora assim sendo, ó JRC, venham de lá esses ossos!

O problema é que continuando refere que a menos que ao gajo se referissem como "  "...esse gajo é um fdp…" é que a coisa seria depreciativa, e aqui atentei no "ela" ( "...andava ela então pela Holanda" ) e um amargo de fel assomou-me à boca.
Mas não durou muito tempo este fel, não, porque, gentilíssimo, JRC me refere logo de seguida como Madame ("...Incomodava-me, não a fotografia do rosto da Madame…") o que me agitou energicamente a imaginação e de imediato me vi como uma Madame Claude dos tempos modernos, comandando hordes de exclusivíssimas cocottes.
Foi de golpe que decidi que, de longe, prefiro o termo gaja (mas só eu é que posso dizer está bem)!

E estava eu nervosíssima ao saber tão ilustre visita no meu humilde estaminé - é que não estando uma pessoa avisada nem sempre tem a casa arrumada e as criadas hoje em dia são aquilo que já se sabe, e no meu caso especifico com a zuca então... ui, ui… vá que há sempre uma champanhota gelada para quem chega - mas dizia eu que estava nervosíssima quando, tristemente, me dei conta de que não era de mim que JRC falava…

Que tristeza tão grande; ai que grande dor na alma; dizem que o coração não dói, ai não, que não dói!
Punhadas, senti eu!

É que está a ver o meu amigo JRC (estamos entre gajos não é verdade), no meu estaminé não se fala de " ...Louboutins, Blhaniks,  Dior, Chanel, Lamborghinis,  Bentleys, "gente linda", resorts e champanhe…" - bom, de champanhe até se fala mas falamos também de temas tão pertinentes e actuais como o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, e eu tenho tanta, tanta pena de que, como afinal se veio a revelar, as suas visitas não sejam feitas à minha humilde morada; talvez tenha feito confusão...

Mas fica desde já o convite feito, e fique Vossência sabendo que vou imediatamente mandar a zuca limpar muito bem a casa, arejar tudo muito bem, arear tachos e panelas, escovar a gataria para dar lustro ao pêlo e dar banho à Mel - a bicha cadela cá de casa.

Dou-lhe a minha palavra d´honra que não terá com que se preocupar (e nem sequer aqueles assados que teve com o Conde de Calheiros aqui se repetirão. O seu quarto, uma vez atribuído, tal como a prateleira onde repousam os seus livros, nunca mais lhe será retirado! Nada tema).

Deixo-lhe então o meu endereço www.osexoeaidade.com , também poderá encontrar-me em osexoeaidade@gmail.com


P.S. - Mesmo "… o chapéu de ranchero paraguaio…" - que por acaso até é de Ibiza - ficará encatrafuado em sitio onde não o veja, e por isso não lhe causará qualquer incómodo.

Ambos os textos podem ser lidos na íntegra aqui e aqui.

17 comentários:

  1. Sexinho, gaja, vou só ali pôr a cabeça fora da janela e inspirar uma boa golfada de ar para ver se não me abafo com o riso e já cá volto...

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  2. Querida piquena. Mulheres de fibra não precisam de cavaleiros que pelejem por elas, nem brancos nem pretos, QED.
    Muitos beijinhos e Xi corações.

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  3. Não percebi nada. Pronto, já disse. :|

    Bem saltitei de link em link e fiquei na mesma. O meu cérebro perdeu a capacidade de entender os mimimis da blogosfera.

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  4. Muito bom.
    Vossência tem o dom da escrita e muito esperto nos cabeça.
    O que na realidade não são mais do que banalíssimas e atuais 'coisas de gaja', bem entendido.
    Parabéns!

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  5. Acabei de chegar vinda do Tempo Contado. Não tinha tido ainda oportunidade de acompanhar os desenvolvimentos da contenda. É uma honra e uma responsabilidade ser assim chamada à liça, mas devo dizer que acompanhou muito bem. É um bálsamo para o espírito ler prosas de humor tão fino.

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  6. Excelente resposta.
    Sentia-me já enfastiado com tanto entorpecimento e vassalagem à prosa do Senhor.
    Cumprimentos, cara S.

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    1. Quiescente, grande, enorme vénia (e esta de verdade)!
      Quase temi que se tivesse perdido a capacidade de interpretação tal foi a quantidade de gente ajoelhada!
      Obrigada por me ter devolvido a fé na inteligência (e na elegância; e na cortesia;)
      Cumprimentos

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  7. A senhora GAJA deu cabo do rapazola, o puderei dizer GAJO???
    Maravilhoso…uma salva de palmas!!!!!!

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    1. Teresa, pode dizer "gajo" se a ele se referir como "esse gajo".

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  8. E desde quando é que JRC poderia reagir de outra forma ao teu palminho de cara, Sexinha, que não admirando-o? Oh, pois. Há mas são verdes. Já as modernices de Ibiza lhe passam ao lado, o que é compreensível num cavalheiro de provecta idade. De qualquer forma, há que fazer as pazes entre dois ex-viajantes pela Holanda, e passarem antes a um registo crítico-saudosista. Digo eu.
    Beijos

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  9. Ah, só em rodapé: sei que ninguém tem pachorra para "grammar trolls", mas reparaste no erro de conjugação verbal que o deus do Olimpo deu no singelo texto a ti dedicado?
    A Miú amiga mostra:
    "havia um que... não só conseguia assombrar-me, como contribuiu para que REVESSE algumas ideias"
    O imperfeito do conjuntivo do verbo "rever" é, como todos sabem - menos o JRC, aparentemente -, "revisse".
    O Eça contorcer-se-ia seguramente, se da tumba despertasse e desse de caras com este confesso acólito do séc. XXI...

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    1. Minha querida Miú, reparaste e muito bem, mais alguém reparou e disso lá fez menção (no blogue do PMS, porque o do outro senhor não permite comentários - talvez tenha medo que em regra ninguém comente e depois o que seria, como se convenceria da sua própria existência?), eu, embora tendo reparado e havendo quem já o tivesse referido, não quis repeti-lo porque me ensinaram que aos mais idosos não devemos nós envergonhá-los... uma vez que eles já o fazem tão bem sozinhos.
      Beijinhos querida Miú.

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