Naquela altura viviamos num prédio cheio de miúdos e o jardim de infância era mesmo em minha casa; primeiro pé ante pé, veio a
Pulga do Tutu, depois vieram todos os outros e a minha casa virou jardim de infância.
A casa fervilhava de catraios, eu tinha mooooontes de paciência e muito pouco tempo.
O que me faltava em tempo, sobrava-me em boa vontade.
Como tal era em nossa casa que acontecia a diversão.
Os serões e fins de semana eram passados com tudo ao molho e fé em Deus!
Inventavam-se programas (tinhamos de sair sempre em dois carros) mas não ficava jardim, campo, curiosidade, cinema, exposição ou praia por ver!
Como disse, eu tinha mesmo muita pachorra!
Tudo era motivo de descoberta e diversão; e assim eram também as festas.
Faziamos festas por tudo e por nada (valia tudo para os entreter) e o Halloween entrou também no calendário de festas anuais!
No primeiro ano tive de ir conversar com os vizinhos, andar a andar; explicar o que ía fazer, pedir-lhes que tivessem doces para oferecer às crianças que lhes iriam bater à porta (que eu cá não os queria a andar lá fora na rua), convencer os pais a mascarar as criancinhas...
Todos os anos eu comprava abóboras, teias de aranha em spray, groselha (para fazer sangue), muitas velas, fazia bolinhos meio desfeitos e desenhava uma caça ao tesouro!
Todos os anos os vizinhos compravam kilos de doces e se mascaravam também (verdade) para receber as criancinhas à porta e distribuir doces e pistas para a caça ao tesouro.
E todos os anos as crianças, por esta altura, estavam eléctricas e chaeias de segredinhos.
Hoje a
Pulga do
Tutu, perguntou por sms, ao
Filhinho
Mais
Lindo
Riqueza de
Sua
Mãe o que vamos fazer este ano; nada, respondeu ele...
E eu tenho saudades de quando todos eram pequenos...