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domingo, 11 de agosto de 2013

E foi assim que aconteceu II

Seis longos e dolorosos dias depois do seu desaparecimento, a nossa Mel foi encontrada!
E como foi que aconteceu? E onde estava ela? E como foi lá parar?
Caaaaalma! Eu conto! Mas preparem-se que isto leva o seu tempo!

Dois comentários novos apareceram no facecoiso do Sexo e a Idade; duas senhoras diziam ter quase 100% de certeza em como tinham avistado a nossa Mel no jardim de S. Bento.
Nas mensagens privadas deixaram o número de telefone e reiteravam a certeza.
Falámos ao telefone e deram-nos pormenores:
- É da mesma cor, tem o rabinho igual, é muito doce, a coleira é tal e qual a da foto... - e de repente, o que me fez disparar o coração e reacender a esperança que desta vez fosse ela - está muito agitada, NÃO LADRA,  mas anda com a cabecinha de um lado para o outro como quem anda à procura de alguma coisa...
Está com um senhor que diz que a apanhou na estrada; venha, venha!

Os Pedros estavam mais perto (os Pedros, a Margarida, a Sara, e o pai de ambas, foram meus olhos, meus braços, minhas pernas, quando e onde eu não pude estar) e pela centésima vez (no minimo) telefonei-lhes contando da pista; pela centésima vez também, responderam sem hesitação "Vamos já para lá!"

Minutos depois (a sério que não foram horas?) o meu telemóvel tocou; a voz do Pedro chegou até mim molhada, isso mesmo, molhada de lágrimas e dizia "É a Mel, é a Mel!" e eu lembro-me vagamente do resto...

Então, o que aconteceu?
O que aconteceu foi que a Sôdona Mel à porta de casa abocanhou um naco de carne e sabendo que não queremos que ela coma na rua, desatou a correr para se esconder a comer; o Mais Que Tudo,  correu atrás dela, e quanto mais ele corria, mais ela corria também, provavelmente pensando "Olha que giro, estamos a brincar às corridas!"

Pois que no meio de tão louca corrida se enfiou por uma zona de mato alto, onde não se vê um elefante cor-de-rosa quanto mais uma bicha cadela cor de erva seca!

A partir daí já vocês sabem o desespero que foi...

Nas primeiras horas batemos toda a zona de mato chamando por ela; esta zona de mato corre paralela à auto-estrada e o motorista de um auto-reboque avisou-me (daquele sitio ele só me via a mim) que num viaduto lá para trás, junto ao Túnel do Grilo, estava um cachorro assustado a caminhar. Teria ela já chegado tão longe?
Saltei do mato para a auto-estrada e comecei a correr por ela fora, chamando, chamando...

Pouco depois noutra zona de mato oiço a voz do Flhinho Mais Lindo Riqueza de Sua Mãe chamando por ela também; contei-lhe do auto-reboque e já não o consegui demover; corria à minha frente na auto-estrada, saltava os rails para o outro lado da estrada, subia os viadutos...

Telefonei ao Mais Que Tudo que estava a bater outra zona de mato, e contei-lhe do auto-reboque e disse-lhe para se meter no carro que chegava lá mais depressa do que nós...

Para a frente e para trás, para baixo e para cima...nada... aparece o motorista do auto-reboque que percebendo o nosso desespero tinha voltado atrás para a encontrar; diz-nos que já não a tinha encontrado...
Pára um carro das Estradas de Portugal, conto-lhe o que se passa e ele diz que nada pode fazer (!) quer saber onde deixei o meu carro e diz-me que não posso andar a pé na auto-estrada "Problema seu", respondi-lhe, e continuei.

Como vocês já sabem, durante os dias e as noites seguintes foi contactar associações, entidades, instituições, organismos, pedir ajuda nas redes sociais, colar cartazes por todos os sitios onde imaginávamos que ela pudesse estar ou ter passado, visitar os canis, rezar, rezar muito a todos os anjos e santos no céu e na terra (e olhem quantos correram em nosso auxilio), rezar para que houvesse mesmo um deus dos animais e a protegesse e a trouxesse de volta a nós...

E no sexto dia aconteceu este milagre; a Laurinda Angelo e Fernanda da Silva enviaram-nos a mensagem e ali estava ela; no jardim de S. Bento (é um animal politico) a nossa Mel!

E como lá chegou é o que querem saber agora, certo?

Então foi assim.

O senhor X (um bom homem) é motorista e viu a Mel na segunda-feira encolhida ao lado da estrada; teve pena e temeu que o pior lhe pudesse acontecer; parou para a apanhar, mas ela não deixou...fugiu e escondeu-se; só no segundo dia (terceiro para a Mel) quando ali passou outra vez e voltou a vê-la, encolhida no mesmo sitio, a conseguiu apanhar (desta vez a pobrezinha nem se mexeu...) e levou-a para casa.
Já em casa, deu-lhe banho e muito mimo (ele e toda a familia) mas não conseguiu que ela comesse...ela recusou sempre até ele lhe ter oferecido ESPARGUETE COM SALSICHAS (!!!),  que passou a ser o seu menu a todas as refeições (ora vejam se a minha menina não é esperta que nem um alho)!

Como ela não faz nada em casa, ele levou-a sempre à rua a passear, e foi assim que foi vista pelas Laurinda e Fernanda!

Durantes estes dias a Mel chamou-se Nina (estou a considerar seriamente passar a chamar-lhe MELANINA), comeu esparguete com salsichas e roubou o coração a esta familia.
Eles ficaram muito tristes por ter de a deixar vir (a sério que ficaram...) mas não hesitaram quando perceberam toda a aflição por que passámos, o que fizemos para a encontrar, e o amor que lhe temos.

A Mel está bem (só umas feridinhas ligeiras nas patinhas), muito feliz por estar em casa, dormiu toda a noite muito tranquila (só levantou a cabecinha de quando em vez para olhar em volta, como que assegurando-se de que estava mesmo em casa) e distribui lambidela à esquerda e à direita como se não houvesse amanhã (temo que a cauda de tanto se abanicar ainda se lhe desprenda do corpo)!

Vitória, vitória, acabou-se a história e agora vamos continuar a festa que isto mete cãopagne e tudo!

*Todos vocês participaram nesta história e este final feliz é também vosso, porque sem vocês eu não teria chegado tão longe, a tanta gente...
Obrigada a todos e a cada um de vós (tanto blog, tanto facebook, tantos telefonemas e pistas), mas um muito especial, MUITO OBRIGADA aos meus anjos na terra, SENHOR X, PEDROS (Pedro e Pedro), MARGARIDA, SARA, PAI DELAS (como é que se chama o vosso pai), NELSON, CARLA, e FÁTIMA (minha irmã do coração)!


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Foi assim naquele dia

De politica não percebo nada e que isso fique já aqui bem claro.
Achei que não iria escrever sobre o 25 de Abril, mas ontem, quando te fui buscar às noites, porque ainda não conduzes, vi estourar um enorme fogo de artificio e fiquei a pensar se o terias visto também ou se ainda estarias no restaurante com os teus amigos.
Perguntei-te, quando entraste no carro, se o tinhas visto; respondeste que sim e que achavas um desperdicio. E a conversa começou aí.
Disse-te que naquele preciso momento em que fazíamos o caminho para nossa casa, fazíamos o inverso trajecto que eu tinha feito pela mão da minha mãe naquele dia, há 38 anos atrás; fazíamo-lo de noite e há 38 anos atrás era de dia.
Contei-te que não percebia muito bem o que estava a acontecer; que nesse dia de manhã, quando descia as escadas de casa pela mão da tua avó, as vizinhas estavam cá fora em alvoroço e pediram-lhe que não saísse com a menina porque havia uma revolução; a tua avó, desempoeirada e destemida como sempre, respondeu que tinha de ir comprar o pão e o leite (na altura era assim, diariamente se comprava o pão e o leite do dia) e por isso iamos na mesma. Pediram-lhe então que ao menos deixasse a menina (eu) com elas. Nem pensar, respondeu.
E fomos.
Na rua, aquela hora só se ouvia o silêncio e não se via ninguém. A leitaria, a padaria, a mercearia tudo estava fechado. Todos estavam escondidos em casa e eu sentia-me meio temerosa (não sabia o que era uma revolução, devia ser assim uma guerra) e ao mesmo tempo uma aventureira pela mão da minha mãe.
Voltámos então a casa e foi no radio que ouvimos o que estava a acontecer e onde.
Que eramos livres, dizia a minha mãe, que os militares nos tinham libertado, que estavam no Terreiro do Paço, na Ribeira das Naus, no Carmo sei lá. E saímos para lá.
Quando descemos a Sta Apolónia vimos cada vez mais gente; gente que se abraçava e cantava, e chorava e que dizia que eramos livres; LIVRES!
Havia electricidade no ar e até eu que não percebia, sentia, que tudo era possivel.
Caminhámos ao lado do rio em direcção ao Terreiro do Paço e havia cada vez mais gente, militares, tanques de guerra com soldados em cima; as pessoas subiam aos tanques e abraçavam os militares.
E de repente apareceram os cravos, aos milhares, de todo lado; e toda a gente tinha cravos (ainda hoje me questiono porquê cravos, e de onde vieram tantos); e todos sabiamos o que fazer; os cravos eram para os militares, os cravos eram para enfeitar o cano das armas.
E foi uma emoção, uma comoção em massa e só se ouvia a palavra liberdade e diziam que não voltariamos atrás.
Estive lá, nesse dia e em quase todos os outros depois.
Aprendi o nome de alguns que acreditaram e lutaram para que aquele dia acontecesse.
Fixei um que me pareceu maior do que todos; o Maia. Esse mesmo que vês aqui abaixo. O capitão Salgueiro Maia (curiosamente não o achas parecido com o teu tio J. Maia). Para mim, para sempre, esta  é a cara da revolução.
Sei que sabes e que nisso te ensinei bem, que a liberdade é um bem maior e que o medo mata.
Sei que sabes que com a liberdade tem de vir a responsabilidade.
Parece-me que infelizmente esta última lição foi a que faltou aos portugueses (todos nós) aprender.
Todos quiseram ter direitos, a maioria esqueceu-se dos deveres e agora filho, vivemos outra vez todos com medo. Medo.












Nota- o que vês aqui acima viu a mãe ao vivo. E foi lindo!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Bichos Cá de Casa ou A Trabalheira Que Eu Tenho!


Como já aqui foi dito gosto de bichinhos (cobras, lagartos e osgas não entram nesta categoria), e à conta disto tenho a sensação de ter sempre vivido num Jardim Zoológico.

Gatos, cães, galinhas, patos, periquitos, papagaios, tartarugas e uma pulga ou outra de vez em quando; já tive de tudo!
À conta disto tenho uma trabalheira danada claro está!
Já para não falar da despesa!
Uma loucura!
Há alguns anos atrás, quando as gatinhas que tinha já estavam muito velhotas, jurei a mim mesma que quando elas partissem para o Paraíso dos gatos, eu não mais voltaria a cair na esparrela de trazer gente de quatro patas, ou emplumados de duas, para casa.
Pois...só não contei com o rapaz que cá mora! O rapazito para além de alguns traços físicos, uma dose considerável de resmunguice e mau feitio meus, herdou também o amor pela bicheza!
E foi assim que depois da Missy ter partido fiquei a braços com uma criança que chorava todas as noites, durante meses e dizia entre soluços “não tenho ninguém para amar” (sic)!
Bem o tentei convencer de que ali estava eu, disponível para ser amada e muito amável por sinal, mas não me valeu de nada; o rapaz queria alguém para amar e tinha de ser alguém de quatro patas e felpudo! Gato ou cão, não interessava! Peixinhos não podia ser e pássaros também não.
Ao fim de mais ou menos seis meses de choro nocturno, ainda resisti um bocado, comecei a amolecer; e foi aí, sim foi aí, que dei comigo a pensar que caramba, só um bichinho também não faz grande mossa; e mais, se fosse um gatinho então não incomodava nada; são independentes, não precisam de alguém colado a eles todo o dia, ao contrário dos cães; não precisam de ser passeados, nem se aborrecem sozinhos.
E pronto! Tramei-me!
Quando dei por mim já tinha o plano arquitectado! Iria tratar de tudo com a União Zoófila e no dia de anos do moço, aparecia-lhe com o bichinho para amar!
E foi assim que a Rita aqui apareceu!
Durante um ano foi filha única mas depois, e à conta de querer ser boazinha e arranjar um gatinho para a filha de uma amiga, trouxe para casa o Sebastião que, nove meses depois, fez da Rita mãe da Leonor!
E começou a confusão! Pêlo por toda a parte, cestos de verga ou palhinha todos arranhados, caixote para limpar, comidinha e água fresca para colocar, desinfecção das bancadas da cozinha e da placa do fogão (amor, como é que quando comprámos a placa, não demos conta que era a ÚNICA sem tampa???) 45 vezes ao dia, unhas para cortar, etc, etc, etc!
Agora, há quase dois anos atrás é que foi a desgraceira total! Onde teria eu a cabeça naquele dia em que o raça de miúdo me telefonou e disse a rebate “Mãããããe! Tens de vir aqui rápido! Está uma toxicodependente (ele disse drogada mas não é politicamente correcto), no meio do trânsito a tentar vender um cachorrinho bebé!”.

Eu até não estive mal; disse, redisse e insisti que não ia, mas que querem, foi mais forte do que eu...
Lá fui, só para ver...
Abordei-a, só para saber...
Negociei, só para ver até onde ela ia...
Paguei-a, só para salvar a bichinha...
Trouxe-a para casa, só para dar banho, levar ao veterinário e depois arranjar um dono bom...
O BICHO JÁ AQUI VIVE VAI PARA DOIS ANOS!!! 

E eu adoro-a...
Como se não bastasse a confusão que já tinha, agora tenho também a Mel que se aborrece e sofre de crises de ansiedade por estar sozinha (por conta disto rói tudo o que apanha), precisa de correr, brincar e mais não sei o quê na rua, tem medo de andar de carro, e quando a isso a obrigamos treme convulsivamente, fica com a respiração pesada e ofegante, baba-se quase a ponto de desidratar, larga pêlo por todo o lado (mais do que aquele que larga normalmente) e num dia bom, ainda me vomita o carro todo!
O amor aos animais ainda há-de dar cabo de mim!
PS- Já mencionei que também cá mora uma tartaruga? Ah, não? É a Areias!

sábado, 14 de julho de 2012

E ontem foi um espectáculo!

A partir das três da tarde de ontem tive a sensação nitida de ter entrado na Twilight Zone!
Piscinas para trás e para a frente para ir a casa da mãe "apagar um fogo", regresso a casa para ir buscar o Coisa Mais Linda, do sorriso mais lindo, que dá pelo nome de filhinho e a quem tinha prometido ir levar ao Optimus (eu sei, só um doido para se meter naquela confusão)!
De caminho passar em modo foguetão pelo Mestre dos sapatos Dr. Assanali.
Regresso a casa na outra ponta da cidade para me arranjar e vestir para o jantar que tinha em Cascais (Jantar em Cascais às 20:00; ponto de encontro casa da A em Carcavelos às 19:30)!
2ª Circular em modo caracol...tic, tac, tic, tac...
Já em casa, levar a bicha cadela à rua...na rua com a bicha cadela (despacha-te bicharoca!)tic, tac, tic, tac... e regresso.
Tomo banho, passo creme (ah, ah! Hoje lembrei-me!), faço o risco nos olhos (tem de ser ao menos isso), escova, escova (tempo para o cabeleireiro, qual quê!), calça sapatos, veste vestido (e agora apertar os botões lá atrás? Ginástica contorcionista...tic, tac, tic, tac...não interessa vai mesmo assim que o cabelo é comprido e não se vê), os brincos, anéis e pulseira que isto hoje vai ser coisa em bom!
De corrida passo pela janela que me pareceu ter escurecido de repente!
Sim, mais uma gracinha do Sr. S. Pedro!
O que é que faço?
Vou toda descapotável e se chove?
Tic tac, tic tac...
Uma pachemina! É isso!
Abre gaveta, fecha gaveta...tic, tac, tic, tac...
Hum...esta deve servir!
Skype para dar beijinho ao Mais Que Tudo que me espera pacientemente lá longe onde anda a caçar mamutes.
Tudo pronto salto para o carro!
2ª Circular em modo caracol...tic, tac, tic, tac...
Pára, arranca, tic, tac, pára, arranca, tic, tac; e foi assim em modo caracoleta (já em brasa) que aterrei, com apenas dez minutos de atraso em casa da irmã da A.
Chega a A!
O drama, a tragédia, o horror!
Ela acabou de sujar o vestido com que pensava ir!
Volta para trás e vai a casa trocar o vestido (aproveita para trocar a maquilhagem também; e os sapatos, e a carteira, os brincos, e o colar e etc, e etc).
45 minutos depois regressa; tudo pronto? Bora lá!
Já na rua, grita a irmã da A:"Egoistas! Nem me disseram se estou bem"!
Pára tudo!
A A. diz-lhe que agora que pergunta por acaso não gosta do cinto...
Volta tudo para trás!
Põe cinto, tira cinto, outro cinto... também não. Volta à forma inicial. Podemos ir?
"NÃO! Não me sinto bem assim!"; "não leves cinto então"; "mas e as presilhas? isto tem presilhas, tem de levar cinto"; sugestão minha a medo: "podemos cortar as presilhas..."
Olhar de pânico das duas: "Nem pensar que ainda cortamos um pontinho e esboroa tudo!"
15 minutos depois entramos no carro.
"Cigarros!" dizem as duas!
"Não há tempo", digo eu!
Siga!
Mais ou menos hora e meia depois da hora marcada entramos no recinto; já está toda a gente a jantar...
Sorrisos amarelos, com licença à direita, com licença à esquerda e sentaditas.
Foi bonito o espectáculo que foi sim senhora!
CSI (Concurso de Saltos Internacionais - Global Champions Tour) em Cascais, a convite (eu convidada da A) da Massimo Dutti (valet parking, zona Vip e tudo olaré!)
Saída em grande estilo com prendinhas já penduradas nos bracinhos resolvemos prolongar a coisa por Cascais.
Cafés e chás na Casa do Largo.
Ahahahahhah, ehehehehehehe e chegam mais duas amigas; ahahahahahah, ehehehehehehe e recebo uma mensagem: "Mãe estou a sentir-me mal. Podes vir buscar-me, por favor?".
Enfiei o chapéu de bombeira e fiz-me à auto-estrada em modo acelera!
Paragem na estação de serviço para comprar uma água das pedras e acelera outra vez!
Chegada ao ponto de encontro o Coisa Mais Linda já tinha tido um encontro com o Gregório que resolveu visitá-lo outra vez quando eu cheguei.
Todos no carro (os amigos não o deixaram sozinho - foi bonito sim senhora! ninguém viu o concerto e ninguém se importou).
Todos para dentro do carro que eu trouxe a farda de taxista.
Vai de fazer entregas, e o Gregório à porta outra vez!
Regressamos pela CREL e mesmo numa zona de impossivel paragem, eis que chega o Gregório!
"Abre a janela Coisa Mais Linda da tua mãe!" e fomos de conversa com o Gregório durante alguns quilómetros...ficou bonito o carro, isso é que ficou!
Agora está deitado, dorme serenamente e eu sentei-me, finalmente, depois de ter posto toda a roupa a lavar (e as t-shirts que ganhou no Optimus também), de ter lavado o tapete do carro, esfregado o banco do pendura, todo o exterior da viatura, e de ter atirado com três baldes de água para cima para não manchar a pintura.
Foi um espectáculo!
São 4 da manhã; vou dormir...
Ps- 05:30 temos o Gregório cá em casa outra vez!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Пітер, вибачте...

No último dia de 2012 enquanto conduzia em direcção à Zambujeira do Mar, para a casa onde seria a festa da passagem de ano, tive um furo ainda a muitos kms do local de chegada.
A viagem depois, foi alucinante (obrigadinha às marcas de automóveis que nos metem um pneu sobresselente na mala do carro que não presta para nada e só aguentam uns quantos kms sem perder o ar); debaixo de chuva, com nevoeiro cerrado, com um pneu que não podia rodar a mais de não sei quantos kms/hora, por estradas que não conhecia (a casa fica seis passos atrás do sitio onde Judas perdeu as botas! É preciso sair da estrada e ir por caminhos de terra que, com tanta água chovida escondiam as crateras onde os pneus aterravam), foi um milagre termos finalmente chegado.

Só vos conheci no dia seguinte, quando a pedido do dono da casa, o foram chamar à casa da lenha para perguntar se conhecia alguém na localidade que me vendesse um pneu em condições que me permitisse o regresso a Lisboa.
Fez uns quantos telefonemas mas todos estavam fora, em festa com as familias, e só no dia 3 foi possivel arranjar um bendito de um pneu.

Assim, e quando todos os convidados para a festa regressaram a Lisboa (dia 2 já toda a gente trabalhava) fiquei só eu, o miúdo, a cadela, e vocês os três (Pedro, Natália e o filho pequeno).
Eu mal dei pela vossa presença; a lareira aparecia acesa, a lenha cortada e arrumada, as camas feitas, as mantinhas dobradas…e à tarde apareceu a Natália com uma consola e jogos para que "o meu menino não se aborrecesse".

Nessa noite enquanto fazia o jantar, apareceu-me um pirralho sorridente, a espreitar da ombreira da porta e logo de seguida a mãe (Natália) a chamá-lo para que não estivesse a incomodar. Pedi-lhe que ficasse e falámos um bocadinho.
Estavam há pouco tempo na casa; tinham saído da Ucrânia já há dois anos e vieram para Portugal onde o marido trabalhava no campo, à jorna. Ela aproveitava para fazer limpezas aqui e ali e foi assim que souberam daquela vaga de caseiros. Estava contente, ali tinham uma casa mesmo de verdade e o menino não tinha frio à noite como quando andavam de saltimbancos à procura de trabalho.
Tinha saudades da familia e da filha que tinha deixado com os avós mas ali, pelo menos, estavam a ganhar dinheiro que podiam enviar para casa.
Convidei-os a sentarem-se connosco à mesa mas declinaram (lá me deixaram o pequenito que comeu tudo sem dizer ai), isso seria um abuso (!!!).

Finalmente no dia 3, em passo de caracol, lá fui atrás do carro do Pedro, com o pneu já numa tripa, até à oficina mais próxima (que de próxima não tinha nada).
Pensei que me fosse deixar por lá, uma vez que o que lhe tinha sido pedido era que me levasse até à oficina, mas não; estacionou, foi falar com o dono da oficina, disse-lhe o que queria, recusou os pneus que lhe apresentaram primeiro, escolheu ele mesmo, negociou o preço, acompanhou (juntinho da máquina) enquanto calibravam o novo, obrigou-os a rodar todos os pneus (o furo foi no da frente e como o novo não era igual aos restantes, era mais seguro passar os da frente para trás), verificou ele mesmo a pressão em todos os pneus, e só descansou quando tudo ficou como ele queria; eu assistia estupefacta…

Quando tudo ficou pronto e o carro entregue, convidei-o para tomarmos um café.
Agradeci-lhe o facto de ter sido tão atencioso para connosco (respondeu-me que era o minimo para uma senhora sozinha com o filho); manifestei-lhe o meu espanto pela forma como tratou de tudo na oficina.
Explicou-me então que na Ucrânia sempre tinha sido mecânico de automóveis, que tinha mesmo chegado a ter uma oficina, com empregados e tudo, mas que tinha tido de a fechar porque a policia lhe exigia para proteção (!!!) quase tudo quanto ganhava.

Contou-me outras coisas, tantas coisas, coisas que lhe faziam pensar que nos próximos anos tudo iria piorar por lá e ele tinha era de ganhar dinheiro para trazer a filha rapidamente para cá…
Fiquei calada, por não saber o que dizer…

Quando nos despedíamos já, como agradecimento, quis dar-lhe algum dinheiro; levantou-se ofendido e não aceitou.
Tinha feito o que tinha achado por bem e não esperava retribuição.
Senti-me envergonhada por o ter ofendido.
Desculpe-me Pedro.
Tenho-me lembrado muito de vós por estes dias.
O Pedro, infelizmente, tinha razão; as coisas pioraram...


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Apelo à população!

Não sei o que fazer...

Eu explico; a pessoa (eu) tem uma conta de instacoiso já vai para uns anitos que criou com muito amor e carinho e onde deposita com regularidade imagens que achou bonitas, sitios por onde passou, quotes (tanto as que a inspiraram como as que a levaram às lágrimas de tanto rir) e vá, também algumas (muitas) selfies (hes) para massajar o próprio ego e porque achou que até nem ficou muito mal na coisa.

Ao longo destes anos a coisa por ali foi andando, com likes d´amigos, e eu a laikar amigos também mas... de há uns tempos a esta parte foi-se-me chegando gente nova, cada vez mais gente e eu pus-me a ver as páginas deles também; e outras!
E confesso que fiquei com vergonha de ter a página tão desarrumada.

Agora vejo-me num imbróglio!
E é por isso que apelo a vós gentes do bem.

Sinto-me na obrigação necessidade de receber bem esta gente, porque afinal de contas aquilo é também a minha casa, verdade?
E para o fazer acho que lhes devo oferecer mais; e melhor...
Mas o que lá está sou eu...

E eu ando sempre sem maquilhagem... e sem grande arranjo... e a maior parte das vezes as selfies (hes) não me saem bem... tenho o braço curto acho eu e fico com cara de bolacha e olhos vesgos...
Já comprei um selfie(sh) stick mas para além de ter vergonha de usar aquilo na rua tenho também algumas dificuldades técnicas... a saber:

- Como não vou para nova preciso dos óculos para ver o que estou a fazer e assim que os tiro (para ficar bem na imagem) fico cega que nem uma toupeira e não sei se estou a fazer boa cara ou não; chego mesmo a tirar fotos só aos senhores que vêm atrás de mim... mas não a mim... corto a minha própria cabeça... desfoco porque me treme o bracinho e estou sempre a ver se vem alguém (morro de vergonha)

- Tenho um problema de coordenação entre o gatilho da coisa e os meus olhos; devo ser a única pessoa que tira fotos a si mesma e consegue ficar de olhos fechados...

- Escolho o filtro no snapchat (diz que alguns filtros fazem ali uma coisa que alisa a pele e fica a pessoa tipo rabinho de bebé) mas nunca acerto com o que quero e acabo com uma argola no nariz ou com uma corôa de flores no cabelo (quando não acontece pior e fico com orelhas de qualquer coisa); afinal qual é o filtro certo para aquilo?!

Para além das dificuldades técnicas temos as outras comportamentais; para além da já referida ausência de maquilhagem (eu sei que há filtros que maquilham também mas só encontro uns que me põem sardas e os olhos verdes...) temos os problema dos autefites ...

Todos os que por aqui andam há muito estão fartos de saber que eu me visto com a primeira roupa que me ataca de manhã quando abro o roupeiro e isto não dá para se ficar assim em bom.
Não tem nada que saber; no Verão túnicas, calções e xanatas e no Inverno jeans, botas e blusões.

Ora assim não chego lá!
Vai que já tentei umas quantas vezes copiar as influencers e vai de me maquilhar, calço o belo do sapatólio, faço assim uns conjuntos (agora parece que se diz "combinados") ponho uns colares e uns chapéus e lá vou eu pespegatar-me na primeira parede em ruínas ou grafitada com ar delambido ou se tiver tempo numa esplanada toda hipster e tal... mas carai!
Sinto-me mascarada!
Isto não me sai natural!

E agora?!
Quem me ajuda?
O que faço?
Já vos aconteceu (as influencers perguntam muito isto)?

RESPONDAAAAAM!
Há toda uma vida no instagrã que espera por mim!




quarta-feira, 1 de maio de 2013

In Amsterdam

Ontem foi o dia em que a Holanda deixou de ter rainha e passou a ter um rei; e nós estivemos lá a ver!
Foi alçar a cagarita da cama bem cedinho e meter pés ao caminho para arranjar uns lugares jeitosos para ver a coisa a acontecer.
Eram magotes de gente, vestida, pintada, enfeitada de laranja, tudo a chegar-se à frente para arranjar o melhor lugar frente ao palácio para ver em primeira mão o acontecimento real.
Eu que sou pouco dada às multidões, confesso que estava um pouco cheia de frenicoques, mas o holandês é um tipo pacifico e organizado e como tal foi fácil estar ali.
Ainda estou para saber como e de repente, estavamos defronte do palácio; duas ou três pessoas apenas à nossa frente; claro está que nem tudo foram rosas, e um, dos que estavam à nossa frente, era um gigante nórdico abraçado à sua valquiria, e outra uma dama holandesa com o seu chapelinho de esvoaçantes plumas laranja, o que em muito dificultou a tarefa de fotógrafo de que estava o Mais Que Tudo encarregue (o homem agarrou-se ao gatilho e ninguém lhe tirou mais a máquina da mão).
Agarrado às grades estava um casal de idosos argentinos, que ali tinham passado a noite com almofadas, pijamas e edredon (e mais restante mobilia que o povo lhes foi trazendo durante a noite); portanto, para a frente tudo pacifico, para trás e para os lados é que foi piorzito...o povo espreme e aperta tentando passar à frente, e eu distribuo, como quem não quer a coisa, cotovelada e pisão!
Uma alcagoita pequenina, com uma camera em punho insistia ser da imprensa uruguaia e vai de empurrar e furar e furar, indiferente aos resmungos da populaça...até chegar aqui à padeira de Aljubarrota! Onde é que a menina vai, ah sim, pois viesse mais cedo (abençoado tempo na Arábia com as sul americanas)!
Depois foi a vez da japonesa que com a mão em cutelo, distribuia golpes de karaté, e furava, furava; diga? É pequenina? Também eu, veja-me lá este viking que tenho aqui à frente! Ah e tal? Pois temos pena (por acaso até nem tinhamos)!
E foi assim que ali ficámos para ver tudo em primeira mão!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ai a minha cabeça!

E hoje, finalmente, fiz o gosto ao dedo, que é como quem diz aos olhos.
Andava já há 3 anos para conseguir ver a Biblioteca de Kalocsa; de cada vez que lá ia "ai que estamos em obras de restauro", "ai que agora são os jardins", "ai, que não está o senhor guia", ai que isto, ai que aquilo, e eu sem lá conseguir entrar!
Mas hoje foi o dia!
Na recepção nem uma alma fala inglês (como de resto não fala praticamente ninguém nesta terra; um bocadinho de alemão, e só alguns e já é um pau), lá me expliquei por gestos (um dedo a apontar para os olhos, as mãos a fingir que folheiam um livro, um grande sorriso) e parece que me fiz entender.
Paga lá o bilhetinho em forints e espera aqui que o guia já vem.
Vinte minutos (bem aviados) depois, lá chega um senhor muito afogueado; baixinho, redondinho, a suar em bica de cada poro que tinha, e atracado ao lenço com que limpava incansavelmente a testa fez questão de me pôr logo à vontade "no english"!
Ok, está bem, isto vai ser giro.
Com passadas incrivelmente largas para o tamanho das suas pernitas, lá demos inicio ao périplo; a cada canto, estante ou porta que passávamos ele detinha-se e fazia questão de me explicar MUITO ALTO e em húngaro, o que estávamos a ver!
Eu já tinha visto esta técnica em acção; Querida Mãezinha quando interpelada por estrangeiros para lhe pedirem orientação nas ruas, e por não falar mais do que o português, fala-lhes também muito alto, convencida que me parece estar de que os estrangeiros não a entendem, não por não falarem a mesma língua, mas porque são surdos...
E assim fomos avançando de corredor em corredor, eu cada vez mais emocionada (senhores! naquela biblioteca repousam obras valiosissimas; tratados únicos no Mundo; leis, astronomia, medicina... aquelas páginas viram já centenas e centenas de anos, e de pessoas...e reduzem-me à insignificancia do que sou; apenas mais uma pessoa que viverá e morrerá enquanto elas se manterão cheias de palavras vivas! É avassalador!) e ele cada vez mais entusiasmado ao ver a minha comoção, aumentava o tom de voz proporcionalmente ao valor da obra que estávamos a ver!
E enquanto isto agitava muito os bracinhos redondos, suava cada vez mais e gritava, gritava...e eu tentava a cada livro ler o nome do autor, traduzir do latim (sei lá eu latim) o nome da obra e quando o conseguia, sentia-me como as damas antigas que espremidas nos seus espartilhos, não logravam respirar e feneciam...
O húngaro estava louco! Agitadissimo! Movia-se por entre as estantes, quase saltitando, rebolando os olhos nas órbitas redondinhas, apontando e gritando o nome (penso eu) do que estávamos a ver e repetindo uma e outra e outra vez, assentindo com a cabeça, para se assegurar que eu compreendia (nada) o que me dizia.
Quando foi interrompido por duas anafadas senhoras que se queriam juntar a nós, olhou-as com ar assassino (juro que sim), baixou a voz e sibilou-lhes qualquer coisa rispida que as deixou com ar chocado (não sei o que foi que lhes disse) e fez-lhes gestos para se afastarem, com as mãos.
Entusiasmado o húngaro, com as emoções que eu não conseguia esconder, tomou-se de brios, baixou a voz e num sussurro, com uma piscadela de olho malandra, convidou-me a entrar numa câmara pequenina, chamando-me com a mão...estava escuro, muito escuro e ele acendeu uma luzinha e eu pude ver; dentro de um armário com luz, temperatura e humidade regulada estava a piéce de résistance de toda a biblioteca!
Um codice (como é que se traduz isto) muito antigo! Século VI li eu...ele abriu o armário, tirou o livro como quem pega numa borboleta e...passou-mo para a mão!
Uma vergonha senhores!
Arfei de comoção e as lágrimas tomaram-me os olhos de assalto (o primeiro a gozar leva uma chapada porque eu estava mesmo esmagada sob o peso do que me era permitido tocar), tive medo de molhar as páginas e devolvi-lho de imediato.
Saí soluçando de emoção e levei um bom tempo a recompôr-me.
Uma vergonha senhores, uma vergonha...
P.S- ainda lhe oiço a voz a ressoar dentro da minha cabeça...



sábado, 15 de dezembro de 2012

Há qualquer coisa nas viagens de carro

Não falo de viagens curtas ou de pequena duração; falo de viagens que demoram tempo, que levam o seu tempo.
Não sei explicar bem o que acontece, mas há uma qualquer magia que acontece nas viagens de carro.
À medida que vamos vencendo kilometros, devorando a estrada, vamos como que despindo as "roupas" que nos atrapalham, e ficando cada vez mais "despidos" para aqueles que connosco viajam. 
Se, ainda por cima, a viagem coincidir com o momento mágico do crepúsculo, é quase palpável a mudança que se opera; as conversas divertidas e de circunstância, dão lugar a temas mais profundos, a confidências...
Foi assim que fiquei fiel depositária de segredos de colegas (em viagens de trabalho), foi assim que soube histórias da minha familia e fiquei a conhecer melhor o meu passado, a origem da minha familia (os trabalhos e os amores), foi assim que eu disse ao meu pai quanto e como o amava...
Às vezes, de dois ou três que somos no carro, passamos a muitos, com todos os que já foram, rindo deliciados com as histórias em que os lembramos.
Ontem foi assim com a Gigi.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Ruivo (conto)

Deram-lhe uma bandeirinha e o Ruivo ali ficou, qual boneco articulado, acenando com um sorriso nos lábios, que condizia na perfeição com a barba de fogo que lhe enfeitava o rosto.

Filho de pai incógnito, logo causou espanto ao nascer de olhos abertos, uma pele branca, branca, à excepção da que tinha na cabeça que mais parecia ter levado uma aguada de laranja.
À medida que crescia mais se lhe incendiavam os pêlos; cabelo, pestanas, a penugem dos braços e pernas, e só muito mais tarde o peito, as axilas e a púbis.

A mãe, que já tinha outros 3 filhos, também como ele de pai incógnito, encolheu os ombros como quem não quer saber, quando a parteira improvisada lho mostrou de olhos abertos e cocuruto alaranjado, aliviada por já não ter que carregar aquele peso que finalmente tinha deslizado para fora de si.
Depois de horas de dores, que apesar de sentir pela quarta vez na sua ainda não muito longa vida, sempre a aterrorizavam, e lhe falavam de morte, ao invés de vida. Assim nasceu o Ruivo.

A mãe do Ruivo vivia com os filhos numa caixa de madeira que se tinha erguido a partir dos caixotes de fruta que ela vendia, e de outros esquecidos pelas vendedeiras no caminho de regresso do mercado, já vazios depois da venda.

O telhado era um confuso amontoado de tábuas e chapas, cartões abertos e pedras a segurá-los.
Tinha a casa um ar de coisa mal amanhada; no chão, lá dentro, uns caixotes faziam as vezes de mesa e bancos, e ao canto um fogão velho, ou talvez fosse só sujo. No canto oposto, uma saca de serapilheira aberta pendia do tecto, à laia de cortina tapando assim dos olhos alheios os momentos de aflição e alívio que toda a pessoa tem.

Entre os dois cantos da divisão, encostado à parede ondulante, um colchão repousava no chão, tapado por um cobertor vermelho muito vivo, que gritava no escuro da casa.

Nas paredes de caixote, não se tinham rasgado janelas, também porque lá fora não havia o que ver a não ser terra, – lama se chovia – ervas, lixo, moscas e ratos, e assim a pouca luz que entrava, coada e em riscas, provinha das falhas do tecto mal engendrado, que em dias de mais vento ganhava vida própria e ameaçava fugir.

Um armário lascado, recuperado da rua, guardava os trapos que a família vestia e que passavam de filho para filho, à medida que deixavam de servir ao irmão que lhe precedia.
Um casaco surrado pendia sozinho no varão, orgulhoso, como membro da realeza que se eleva no meio dos seus súbditos; calças, camisolas, meias e cuecas espreitavam de dentro das gavetas tortas, empenadas e já sem puxadores.

Um cão rafeiro e zarolho dormitava perto enroscado em si mesmo, e de vez em quando rosnava baixinho; talvez sonhasse um sonho de cão, ou então talvez fossem apenas as lombrigas que o incomodavam.

Uma lâmpada iluminava com uma luz crua e triste todo este cenário de desolação.

Aqui nasceu o Ruivo sem pompa nem circunstância, quando chegou a hora e as pernas da mãe se alagaram com as águas quentes que jorravam das suas entranhas, anunciando a iminência do nascimento; foi ajudada pela vizinha solicita e experiente, que a troco de um quilo ou dois de fruta, sempre a tinha desembaraçado das criaturas que lhe enchiam o ventre.
Foi precisamente esta vizinha que ao recebe-lo no Mundo, e enquanto o embrulhava num cobertor velho e sujo, como todo o barraco, primeiro se espantou com a pincelada de laranja e com os olhos verdes e muito abertos do Ruivo.
“Este nasceu de olhos abertos”, disse ela, “este é esperto, ninguém o há-de comer por parvo”, vaticinou a vizinha parteira.
(continua)

sábado, 20 de setembro de 2014

O miúdo é que tinha razão!

Hoje pela manhã, quando se deu o incidente do copo, o miúdo disse-me:
- Mãe, isto é um sinal; como aqueles que aparecem aos americanos nas bolachas.
A cara de Jesus inscrita a chocolate! Digo-te que isto é um sinal!
Eu, pessoa pouco crente, sorri e não voltei a lembrar-me de tal; até há pouco.

Andava eu nos meus afazeres domésticos quando me pareceu ouvir um trovão.
E logo de seguida outro e mais outro, mas nada de chuva.
Trovoada seca pensei, mas como o brrrrum continuava prestei mais atenção; e foi então que percebi que aquilo que me soava como trovões, não eram senão as vozes dos deuses.

PMS e JRC digladiavam-se!
Pensei esconder-me debaixo da cama mas depois lembrei-me que é daquelas de gavetões e nem com os pés dobrados lá caberia dentro e vi-me assim obrigada a assistir, tremendo…

E estava eu nisto, meia escondida atrás de um cadeirão, quando ouvi o meu nome referido na contenda; dizia JRC que "...é obrigatória a menção do blogue da "gaja" onde …" "descobri a palavra:osexoeaidade,blogspot.com. ..."

Arrebitei de imediato as orelhas, ao mesmo tempo que franzi o sobrolho; pois se por um lado o ego se me inchou (que mais pode uma gaja almejar depois de ter o seu nome mencionado no Olimpo), por outro, e dando toda a razão a PMS quando já na véspera o tinha admoestado dizendo "… Fique o meu caro J. Rentes de Carvalho sabedor que "gajas" é coisa que um homem não pode dizer. Elas, as senhoras, podem dizê-lo entre si, encolher os ombros e passar adiante. A nós não nos é permitido tal…" irritei-me um tudo nada; pois está claro, que não, não pode!
Então que é lá isso? Andámos juntos na costura?!

Mas tinha retorquido JRC, apoiando-se no seu vocabulário de infância e também evocando a prosa queirosiana, que não, que ser um gajo não significava mais do que "ser cá da malta" e que assim sendo o seu feminino não significaria menos; ora assim sendo, ó JRC, venham de lá esses ossos!

O problema é que continuando refere que a menos que ao gajo se referissem como "  "...esse gajo é um fdp…" é que a coisa seria depreciativa, e aqui atentei no "ela" ( "...andava ela então pela Holanda" ) e um amargo de fel assomou-me à boca.
Mas não durou muito tempo este fel, não, porque, gentilíssimo, JRC me refere logo de seguida como Madame ("...Incomodava-me, não a fotografia do rosto da Madame…") o que me agitou energicamente a imaginação e de imediato me vi como uma Madame Claude dos tempos modernos, comandando hordes de exclusivíssimas cocottes.
Foi de golpe que decidi que, de longe, prefiro o termo gaja (mas só eu é que posso dizer está bem)!

E estava eu nervosíssima ao saber tão ilustre visita no meu humilde estaminé - é que não estando uma pessoa avisada nem sempre tem a casa arrumada e as criadas hoje em dia são aquilo que já se sabe, e no meu caso especifico com a zuca então... ui, ui… vá que há sempre uma champanhota gelada para quem chega - mas dizia eu que estava nervosíssima quando, tristemente, me dei conta de que não era de mim que JRC falava…

Que tristeza tão grande; ai que grande dor na alma; dizem que o coração não dói, ai não, que não dói!
Punhadas, senti eu!

É que está a ver o meu amigo JRC (estamos entre gajos não é verdade), no meu estaminé não se fala de " ...Louboutins, Blhaniks,  Dior, Chanel, Lamborghinis,  Bentleys, "gente linda", resorts e champanhe…" - bom, de champanhe até se fala mas falamos também de temas tão pertinentes e actuais como o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, - e eu tenho tanta, tanta pena de que, como afinal se veio a revelar, as suas visitas não sejam feitas à minha humilde morada; talvez tenha feito confusão...

Mas fica desde já o convite feito, e fique Vossência sabendo que vou imediatamente mandar a zuca limpar muito bem a casa, arejar tudo muito bem, arear tachos e panelas, escovar a gataria para dar lustro ao pêlo e dar banho à Mel - a bicha cadela cá de casa.

Dou-lhe a minha palavra d´honra que não terá com que se preocupar (e nem sequer aqueles assados que teve com o Conde de Calheiros aqui se repetirão. O seu quarto, uma vez atribuído, tal como a prateleira onde repousam os seus livros, nunca mais lhe será retirado! Nada tema).

Deixo-lhe então o meu endereço www.osexoeaidade.com , também poderá encontrar-me em osexoeaidade@gmail.com


P.S. - Mesmo "… o chapéu de ranchero paraguaio…" - que por acaso até é de Ibiza - ficará encatrafuado em sitio onde não o veja, e por isso não lhe causará qualquer incómodo.

Ambos os textos podem ser lidos na íntegra aqui e aqui.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Andava a tentar não falar nisto, mas já percebi que tem de ser!

Olá Mac (ou A vida em Azul Cueca como queira),
pensei muito antes de lhe escrever; primeiro pensei enviar-lhe um email mas depois achei que não era preciso uma vez que a menina aqui vem todos os dias, assim, escrevo-lhe aqui e a coisa fica já resolvida, boa?
Pensei também sobre o facto de esta ser uma questão algo delicada e como tal, talvez fosse melhor ser tratada em privado; mas depois pensei melhor e sendo certo que a menina não tem tido esses pruridos, uma vez que entra e escreve sem pejo algum na página FB da minha loja SOUK, mentindo com quantos dentes tem na boca e dedinhos tem nas mãos, e mais ainda arrastando amigas suas e levando-as também, sem conhecimento da verdade, a fazer eco das suas tonteiras e pretensões, achei que também não se justificava um tratamento mais recatado deste assunto.
Tenho a certeza de que sabe porque lhe escrevo; escrevo-lhe porque diáriamente a menina e as suas amigas me incomodam e vilipendiam em vários sitios, nomeadamente no meu mural do SOUK; escrevo-lhe para lhe perguntar o que pretende e qual é o seu problema.
É que não entendo de facto.
E por falar em facto, vamos aos factos.
Dia 8 de Abril de 2013 publiquei aqui no Sexo e a Idade, o blog do SOUK, e a sua página de Facebook (que por acaso data de 6 de Abril de 2013, vá lá ver se não é) onde disse que iria passar a vender alguns artigos, nomeadamente as almofadas que já tinha mostrado em Setembro de 2012 aqui no Sexo e a Idade; de repente, no dia seguinte (dia 9 de Abril), a menina no seu blog, vem com uma conversa assaz engraçada a dizer que tem novidades acerca de umas almofadas, e passo a citar "pensadas, criadas e executadas" por si; logo de seguida noutro post vem dizer-nos que andava já desde 2012 a pensar fazer um site, que imagine-se (!!!) só naquele dia 9 de Abril, dois dias após o meu, tinha ficado pronto (por acaso quando publicou o post até nem era site nenhum era apenas uma página de Facebook datado de 9 de Abril também - 2 dias depois do meu - só no dia seguinte apareceu um site que (!!!) tinha um fundo de serapilheira igualzinha à do fundo do meu blog SOUK!!!
Veja lá a coincidência Mac!
Uma ideia de negócio igualzinha à minha, mas tão igualzinha, tão igualzinha que até o fundo é igual!
Só que uns dias a seguir à minha ideia...
Mas espere, não deixe de ler agora; agora é que isto fica giro!
Dia 26 de Abril (21 dias depois de EU ter iniciado o SOUK, 19 dias depois de a menina me ter copiado), a Mac lança um post no seu blog (não há necessidade de pôr aqui o link pois não? A menina sabe qual é o seu blog) gritando aqui d´el rey que a andavam a copiar!
E mais, faz saber que registou as almofadas que também faz e, tenta, comercializar!
Pois deixe-me que lhe diga que, em primeiro lugar, aquilo que o Vasco Santana afirmou a propósito dos chapéus é válido também para as almofadas; almofadas há muitas! E fazem-se desde sempre!
Em segundo lugar, os materiais com que se fazem estão à venda em grandes e pequenas superficies, em feiras e mercados, até na Arábia veja lá!
Enfim, estão por todo o lado e como a menina não é detentora da patente dos tecidos, olhe, temos pena, mas toda a gente os pode comprar!
E mais, toda a gente que queira, os pode transformar em ALMOFADAS e no que mais quiser!
Em terceiro lugar como foi referido no primeiro post do blog SOUK, e escrevo-lhe aqui o que lá está não vá dar-se o caso de a menina não ter visto "Já tudo foi inventado, é dificil ser-se original; acabamos sempre a ir buscar ideias aqui e ali, e a combiná-las de uma forma que nos parece fazer sentido no momento." e é por isso mesmo, que aquilo que a menina vê em revistas, sites e outros, eu também vejo e outras pessoas veêm também. E replicam-no.
Veja lá como as coisas são tão injustas, que a McDonalds não pode proibir a Burger King de vender hamburgers e nem a Burger King o pode fazer à McDonalds... tsc, tsc...como as coisas são...
Em quarto lugar, quero fazer-lhe saber que o SOUK é uma marca registada e habilitada a criar, executar e comercializar tudo aquilo que achou por bem englobar no seu registo e olhe lá, que são mesmo muitas coisas!
Ah! E a lei diz que pode fazê-lo onde quiser!
Por último só me resta pedir-lhe que siga com a sua vidinha, de preferência longe da minha e que, por favor não volte a incomodar-me mais!
Já agora, faça eco deste meu pedido às suas amigas que têm escrito coisas menos simpáticas e mesmo mal educadas, para além de serem falsidades, no meu mural de facebook do SOUK (como fiz print screen do que lá escreveram estão lá também os nomes de perfil e fotos delas; pensei pô-los aqui para que toda a gente visse quem são mas talvez não deva pôr-me a esse nível). Diga-lhes que este tipo de coisas não lhes fica bem; é assim a modos que como que uma unha de verniz descascado, sim?
E por agora é tudo Mac Maria.
Passar bem
Sexinho, a dona do Souk 

domingo, 25 de agosto de 2013

25 anos

Estava uma noite quente e convidativa para passear, de forma que decidimos fazer o regresso a casa de Querida Mãezinha, a pé.
Tinhamos acabado de ver uma revista no Parque Mayer, não me lembro qual, e ainda vinhamos a rir, revendo os sketchs mais engraçados.
Prolongando o passeio, decidimos ver as montras no Chiado e assim, subimos a Rua do Carmo (cheia de esplanadas em betão), continuámos pela Rua Garret, descemo-la outra vez e seguimos descendo pela Rua Nova do Almada.
Lembrámos outros tempos em que eu, pequenita, de mão dada com pai e mãe, ali ia pela altura do Natal para ver as iluminações; recordei as manhãs passadas em frente às montras, onde a Gigi se demorava, de caderno e lápis em punho, copiando os modelos que as Clientes lhe tinham pedido para reproduzir; pormenores das golas, dos forros, uma botoneira diferente...e eu esperando (im)pacientemente o prometido croissant na Bénard.
Não sabíamos nessa altura que seria essa a última vez que o víamos assim.
Na manhã seguinte acordei com um telefonema de Querida Mãezinha em lágrimas; o Chiado estava a arder. "Como?", perguntei ainda estremunhada.
Tomei um banho rápido, vesti-me a correr, apanhei a minha fiel Nikon F2 e voei para o comboio; nunca uma viagem S. João do Estoril/Cais do Sodré me pareceu tão longa.
Foi com o coração apertado, de máquina em punho e lágrimas nos olhos que subi a correr a Rua do Alecrim.
A confusão era muita; policia, bombeiros, muita gente só para ver; a policia e os bombeiros afastavam as pessoas e impediam-nas de entrar, mas eu, penso que por causa da maquina fotográfica que segurava e por causa do colete de fotógrafo (para colocar as diferentes lentes) consegui passar e enfiar-me naquele Inferno.
Não sei descrever o que vi; muito fumo, um calor insuportável, gente a correr, por cima de mim, numa varanda uma botija de gás explode e, ainda estou para saber como, não me atinge a mim e nem a ninguém...
Um medo e ao mesmo tempo uma ânsia de registar...a meio da tarde fomos impedidos pela policia de continuar a circular.
Fui para o estúdio de um amigo revelar o que tinha registado; seríamos uns cinco dentro da câmera escura...comparámos os registos de um e de outro; as fotos não faziam jus àquilo que os olhos tinham visto...pensámos que tinha sido ali o fim do Chiado.
E foi; foi o final de um Chiado parado no tempo, com lojas desactualizadas e morrendo em agonia, que veio a dar lugar a um Chiado cosmopolita e vibrante, uma das zonas mais vivas e mais visitadas de Lisboa.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Fico azul quando os vejo desaparecer!


Ontem, encontrei no FB de um amigo esta foto que me trouxe à memória paredes de prédios e igrejas em Alfama, S. Vicente de Fora, Graça, na encosta do Castelo de S.Jorge e na casa dos meus pais.
A casa dos meus pais fica num antigo convento; a data da sua construção é anterior ao terramoto de 1755 (soubemos a data da sua construção quando há umas décadas, era eu ainda pequena, se fizeram obras na cave do edificio e atrás de uma parede falsa foram encontrados, para além de duas forcas (oh yeah!) uma quantidade tremenda de livros e plantas. Um dia, em tendo tempo e paciência, talvez vos venha a falar destes tesouros).
Logo que se passavam as duas grandes portas de madeira do edificio, pareciamos recuar no tempo; chão de laje grande já polida pelo tempo, azulejos de época nas paredes e uma enorme escadaria de madeira ladeada por grossos corrimãos em ferro, levavam-nos ao primeiro piso onde ainda se via, pasme-se, uma pia baptismal; para o andar seguinte a escada estreitava porque era por aí o acesso às celas dos monges.
Do convento original só este edificio sobrou; no terreno adjacente, à direita  ergueu-se o Hospital da Marinha e à esquerda havia uma antiga estância ou serração de madeiras.
Mas voltando ao tema, todo este belissimo edificio estava adornado com azulejos lindissimos; nuns casos painéis inteiros e noutros apenas fragamentos ou mesmo, como no caso da minha cozinha, um azulejo de cada nação, todos agrupados sem grande, ou nenhuma mesmo, preocupação estética compunham um pano de fundo azul e branco para os cozinhados da minha mãe.

Pelo meio da minha adolescência comecei a dar conta de que faltavam aqui e ali, na entrada do prédio alguns azulejos; passei a encontrar muitas vezes areia amarelada no chão e algumas vezes até lascas de azulejos (a camada de porcelana neste azulejos é deveras fininha e o restante azulejo é feito de uma mistura de areia assim, quando retirado à força e por mãos que levianas, esboroam-se e partem-se)
Por essa altura também, lembro-me de um feirante chico esperto, a Feira da Ladra é logo ali, ter abordado o meu pai, tal como fez a outros vizinhos, tentando convencer o meu pai a dar-lhe todos os azulejos da nossa cozinha em troco de uma cozinha nova que ele mandaria montar com os azulejos todos branquinhos, muito mais modernos e fáceis de limpar (sic).

Nunca aqueles azulejos dali sairam!
Até ao dia em que o prédio foi comprado e entrou em obras…

Uma entidade esquisita (para mim até hoje aquilo não é bem claro) comprou o prédio e entregou-o nas mãos de um empreiteiro manhoso; os inquilinos foram obrigados a sair temporariamente (claro que isto só depois de ter havido acidentes no prédio com gente a afundar-se soalho abaixo no piso, pernas partidas e afins…) e quando voltaram…tchanam!

CADÊ OS AZULEJOS?!
Nada nas paredes, nos muretes, nas cozinhas…NADA!
Um prédio centenário e majestoso tinha agora as paredes da entrada nuas, pintadas a tinta de areia, a escadaria de madeira foi substituida substituida por mosaico ranhoso, bem como todo o resto do chão, as paredes desta escada azulejos azul cueca, bem como foi feito prédio acima, e os corrimãos, senhores os corrimaos… o ferro pintado de cor-de-rosa!

Podia contar-vos mais atrocidades que foram feitas a este prédio porque as há, tantas e tantas (onde foi parar o palco que estava no salão desde os tempos da républica? E os livros?) mas penso que já tenham percebido porque me tocou tanto esta fotografia.

P.S - Ontem guardei este post para o publicar hoje e inacreditávelmente, acabo de encontrar este outro post sobre o mesmo tema; não sei mesmo se a foto que ontem encontrei não terá vindo, originalmente, de lá. Seja como for aqui fica o link para que se veja que mais gente é sensível a este tema.