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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Algum dia tinha que ser...

Muito mais por uma questão de personalidade do que necessidade tenho a mania que sei fazer tudo e antes de pedir ajuda, coisa que muito raramente peço, atiro-me de cabeça ao que houver para fazer.

Desta vez correu-me mal a “brincadeira”...
Quem por aqui anda há algum tempo já “assistiu” às minhas investidas como canalizadora, pintora, assentadora de papel de parede (é assim que se chama, ou será coladora?), mecânica, trocadora de pneus, enfermeira, detective CSI, e eu sei lá o que mais!
Pois foi fazendo uma coisa bem simples que isto correu pior...

Acabo de levar com um candeeiro de tecto no toutiço enquanto mudava uma lâmpada.!
Resumo dos estragos:
Um galo na testa, uns arranhões nas bochechas e um golpe fundo no nariz que precisou de ser assistido no posto médico depois do abajur (abat-jour) se me ter partido na cara.

Acho que nos próximos tempos fica assim resolvida a questão das selfis (hes).



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Apelo à população!

Não sei o que fazer...

Eu explico; a pessoa (eu) tem uma conta de instacoiso já vai para uns anitos que criou com muito amor e carinho e onde deposita com regularidade imagens que achou bonitas, sitios por onde passou, quotes (tanto as que a inspiraram como as que a levaram às lágrimas de tanto rir) e vá, também algumas (muitas) selfies (hes) para massajar o próprio ego e porque achou que até nem ficou muito mal na coisa.

Ao longo destes anos a coisa por ali foi andando, com likes d´amigos, e eu a laikar amigos também mas... de há uns tempos a esta parte foi-se-me chegando gente nova, cada vez mais gente e eu pus-me a ver as páginas deles também; e outras!
E confesso que fiquei com vergonha de ter a página tão desarrumada.

Agora vejo-me num imbróglio!
E é por isso que apelo a vós gentes do bem.

Sinto-me na obrigação necessidade de receber bem esta gente, porque afinal de contas aquilo é também a minha casa, verdade?
E para o fazer acho que lhes devo oferecer mais; e melhor...
Mas o que lá está sou eu...

E eu ando sempre sem maquilhagem... e sem grande arranjo... e a maior parte das vezes as selfies (hes) não me saem bem... tenho o braço curto acho eu e fico com cara de bolacha e olhos vesgos...
Já comprei um selfie(sh) stick mas para além de ter vergonha de usar aquilo na rua tenho também algumas dificuldades técnicas... a saber:

- Como não vou para nova preciso dos óculos para ver o que estou a fazer e assim que os tiro (para ficar bem na imagem) fico cega que nem uma toupeira e não sei se estou a fazer boa cara ou não; chego mesmo a tirar fotos só aos senhores que vêm atrás de mim... mas não a mim... corto a minha própria cabeça... desfoco porque me treme o bracinho e estou sempre a ver se vem alguém (morro de vergonha)

- Tenho um problema de coordenação entre o gatilho da coisa e os meus olhos; devo ser a única pessoa que tira fotos a si mesma e consegue ficar de olhos fechados...

- Escolho o filtro no snapchat (diz que alguns filtros fazem ali uma coisa que alisa a pele e fica a pessoa tipo rabinho de bebé) mas nunca acerto com o que quero e acabo com uma argola no nariz ou com uma corôa de flores no cabelo (quando não acontece pior e fico com orelhas de qualquer coisa); afinal qual é o filtro certo para aquilo?!

Para além das dificuldades técnicas temos as outras comportamentais; para além da já referida ausência de maquilhagem (eu sei que há filtros que maquilham também mas só encontro uns que me põem sardas e os olhos verdes...) temos os problema dos autefites ...

Todos os que por aqui andam há muito estão fartos de saber que eu me visto com a primeira roupa que me ataca de manhã quando abro o roupeiro e isto não dá para se ficar assim em bom.
Não tem nada que saber; no Verão túnicas, calções e xanatas e no Inverno jeans, botas e blusões.

Ora assim não chego lá!
Vai que já tentei umas quantas vezes copiar as influencers e vai de me maquilhar, calço o belo do sapatólio, faço assim uns conjuntos (agora parece que se diz "combinados") ponho uns colares e uns chapéus e lá vou eu pespegatar-me na primeira parede em ruínas ou grafitada com ar delambido ou se tiver tempo numa esplanada toda hipster e tal... mas carai!
Sinto-me mascarada!
Isto não me sai natural!

E agora?!
Quem me ajuda?
O que faço?
Já vos aconteceu (as influencers perguntam muito isto)?

RESPONDAAAAAM!
Há toda uma vida no instagrã que espera por mim!




domingo, 21 de outubro de 2018

Eu sei, vocês querem é saber da minha Zuca


Pois que a minha Zuca cá anda (igualzinha a si mesmo), e talvez a única novidade seja mesmo o facto de ela ter parado de me chamar assim:  "fais favor" e me ter passado a chamar: "comadjinha" (tradução - comadrinha).

E vejo já o revirar de olhos dos mais tradicionais; O quê? O desplante! O horror! O abuso!

Pois que seria de certeza um horror, um desplante, um abuso não fosse esta criatura a quem confio há anos, não só as chaves da minha casa mas também, e sobretudo, o meu filho.

Sim, desde sempre nesta minha irrequieta vida de nómada foi esta minha tresloucada Zuca que me tranquilizou dizendo: "Quando você não está o seu filho é meu filho".
E sempre cumpriu (mais até do que se podia desejar).

Por isso sim, somos "comadjinhas".
E com muito gosto! 

sábado, 19 de dezembro de 2015

Ouvido de passagem

Tivemos um black out lá em casa e foi a ver-se tivemos mesmo de desligar o disjuntor que liga os aquecimentos da minha casa de banho (e o secador de toalhas...buááááá....gosto tanto da minha toalha quentinha e agora não tenho...snif)

Bom, hoje lá consegui passar ali no boteco dos arranja tudo cá do sitio e lá expliquei que tinha para ali qualquer coisa em curto-circuito e que queria que mandassem um eletricista lá a casa.

Enquanto o que me atendia, procurava na agenda um electricista disponível, ao meu lado acontecia o seguinte diálogo com outra cliente assim já para o velhote:

Funcionário - Pois, isso vai-lhe tudo abaixo porque não está ligado à terra!
Cliente - Terra?
Funcionário: Sim, isso tem de levar terra, mas não se preocupe que nós vamos lá agora tratar disso.
Cliente: Ó senhores...isto só a mim... ainda há pouco lavei o chão e agora vai-me encher aquilo tudo com terra....

terça-feira, 4 de agosto de 2015

É só uma ideia...

Cá por coisas minhas passei há dias por uma experiência em que estive privada de beber e comer fosse o que fosse durante 24 horas.
O dia estava quente, o sol tisnava, o chão fervia; um dia de canícula!
A privação de comida, por um dia, até nem custou nada mas a sede senhores! A sede foi um horror!
Os lábios secos, a boca pastosa, e o dia a avançar; o calor a apertar e os lábios cada vez mais secos... e a saliva quente… e cada momento a sede a aumentar…
Também não podia molhar-me e por isso tinha ainda mais calor.
Digo-vos que, e apesar de saber que foram apenas 24 horas, foi de tortura!

É assim que se sentem os animais de rua todos os dias só que ao contrário de mim, não foi escolha deles, e não sabem abrir torneiras, nem entrar em cafés ou restaurantes e pedir água.

Este Verão vamos pensar neles e deixar um recipiente com água fresca e limpa à porta do prédio, num jardim, ao pé de um arbusto, onde seja.
Quem alinha?

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ó pá! É que era mesmo isto que me estava a faltar!

Pelos vistos não há limites para a febre vintage!
A Renova reeditou o primeiro papel higiénico que lançou no mercado e anuncia-o assim:
"… uma relíquia dos anos 60, uma viagem no tempo que o transporta para uma outra época. Renova Super foi o primeiro papel higiénico 100% português, muito antes do sucesso dos Beatles, num tempo em que um simples caramelo podia ser um verdadeiro tesouro.  
Uma edição muito especial com rolos individuais embalados manualmente.
Surpreenda todos os seus amigos e renda-se à tendência vintage: a moda que nunca passa de moda."


Ó pá, a sério? 
E ainda por cima fica barato um rolito!
Quando um caramelo era um tesouro?
Surpreender os meus amigos com um rolo de papel higiénico? 

Só me lembro mesmo daquele pregão que se ouvia nos estádios antigamente - um pregão vintage portantoS - 
"É p´ró cú, é p´ró cú, almofadinhas p´rá bola!"

sábado, 2 de maio de 2015

Olá, eu sou o Gui!

Este pacholinha que aqui está é o Gui e foi ROUBADO!
O Gui tem 6 anos e nem um pingo de maldade no seu coração de cão; e porque não tem maldade também não a vê nos outros!

O Gui adora andar de carro e não perde uma oportunidade! Assim que vê uma porta aberta, zunga, enfia-se lá para dentro!

E foi isso que aconteceu; enquanto o dono pagava o café no mercado de Melides, ele viu uma porta aberta e zás, entrou!
O condutor aproveitando a distracção do dono, levou-o!

Há uma familia desesperada à procura do Gui e há, algures por aí, um Gui desorientado, sem perceber o que aconteceu e onde está a familia dele…

Vamos ajudar a encontrar o Gui?
Ajudam-me, como fizeram com a minha Mel?
Vamos partilhar e partilhar e partilhar, nos blogues e facebook até o Gui aparecer?
Quantos mais formos melhor e mais longe conseguimos ver!
Se o virem (ou acharem que é ele) chamem "GUI!" e se ele der sinal perguntem onde e quando o encontraram.
Os veterinários estão avisados e alerta também.
Ele pode estar em qualquer parte do país (lembrem-se que entrou para um carro).
Ajudam-nos?

Estes são os contactos:
tocaspa@live.com
964066442
e aqui a página de FB.
O anúncio e o cartaz estão aqui se quiserem imprimir e ajudar a colar.
Obrigada.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Olá Janeiro, adeus kilinhos!

Estive para aqui a pensar que se escrevo tanto para os outros, porque não escrever também para nós?
E sendo assim, aqui fica o primeiro exclusivo para O Sexo e a Idade!


E quando chega Janeiro a balança não perdoa...
Durante o mês de Dezembro os jantares de amigos sucederam-se, as festas chegaram e nós deixámo-nos ir mas quando chega Janeiro muitas vezes fica difícil apertar o botão das calças… o fecho do vestido... a camisa mostra o que não se quer…

É hora de parar de beber champagne e comer bolinhos  e tomar uma atitude!
O que podemos fazer para rapidamente perder o máximo de peso possível?
Prepare-se para anotar tudo o que lhe vou dizer porque esses são preciosos segredos transmitidos de mãe para filha, na minha família, ao longo de gerações!

Não, na verdade esses são pequenos truques que fui aprendendo ao longo do tempo uns por conselho de amigas, outros por pessoal técnico, especialistas no assunto, e outros ainda tropecei neles por acaso.



1 – Depois de tanta festa e animação está na hora de descansar.

Durma bastante. As pessoas que dormem menos do que as sete horas diárias recomendadas tendem a ganhar peso mais facilmente. A privação de sono faz com que o organismo produza cortisol, uma hormona de stress que pode levar ao aumento de gordura na zona abdominal. A falta de sono também provoca a manutenção dos açúcares e amidos no organismo o que pode levar a ganho de peso.

2 - Ria-se muito
Estudos mostram que rir pode acelerar o metabolismo e o ritmo cardíaco o que ajuda a queimar calorias.
Assistir a uma comédia, ouvir e dizer umas piadas ou ler uma história engraçada pode realmente, ajudar a perder peso. De facto, rir apenas 15 minutos por dia pode queimar cerca de 15.000 calorias por ano.

3- Nunca coma de pijama
Está provado que comemos mais e mais vezes se estivermos a usar roupas largas e confortáveis; como não nos sentimos apertados, não sentimos o estômago a inchar e consequentemente temos a sensação de que que podemos continuar a comer. Por isso já sabe, se estiver por casa vista uma roupa mais justa.

4 - Troque o elevador pela escada diariamente.

 A mudança pode significar um aumento de 15% no seu gasto caloric, dependendo de quantos andares você tem de subir, e só isto já vai fazer muita diferença.


5 - Reduza o consumo de sal
Estudos revelam que pessoas que comem alimentos salgados tem tendência a acompanhá-los com bebidas calóricas e açucaradas. Pense lá se nunca devorou um pacote de batatas fritas bem salgadas acompanhado de um refrigerante cheio de açúcar? Pois… Para além disso, sabe-se que alimentos com alto teor de sal aumentam o risco de hipertensão arterial e de problemas cardíacos. Opte por alimentos com pouco sal.


6 - Mantenha-se hidratada.
De acordo com vários estudos ao ingerir dois copos de água, há um aumento da queima calórica em até 30% por mais de uma hora. Se você for como eu e não gostar muito de água pura, o truque é acrescentar sabores, por exemplo espremendo umas gotinhas de limão ou colocando hortelã .

7- Cozinhe com especiarias
Especiarias adicionam sabor à comida, mas não adicionam calorias. As especiarias também adicionam um aroma delicioso e estudos revelam que pessoas que saboreiam tanto o cheiro como o paladar não são propensas a comer em demasia. Acrescente-se que quando consumimos comida picante, em especial se temperada com pimenta cayenne, o nosso metabolismo trabalha mais depressa.

8 - Troque o frito pelo assado,
Só isto reduz as calorias em um terço e isto vai traduzir-se no seu peso.

9- Não fique com fome.
Comer qualquer coisa de hora a hora (uma bolacha, uma peça de fruta, um yogurt, etc)  pode parecer exagerado, mas é certo que a fome não aparece. Dessa forma, as porções de comida, aos poucos, vão diminuindo e o peso também.

10 - Acredite que está a perder peso

Se pensar que está a perder peso, então está mesmo. Um estudo realizado em empregadas de hotel demonstrou que aquelas a quem foi dito que iriam perder peso devido à sua actividade física, de facto perderam. Portanto se acreditar que os seus esforços para perder peso resultam, eles irão mesmo resultar.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Olhó MakeOver fresquinho!



Talvez sirva como atenuante para o facto de não mais aqui ter vindo dizer-vos que só fiz as minhas compras de Natal… às quatro da tarde de dia 24!!!
Sim, quando já estava tudo a fechar...
Dá para perceber que ando mesmo sem tempo, certo?!

Espero sinceramente que tenham passado um Natal de coração quentinho e que o bom velhinho vos tenha trazido muita coisa boa e tudo, e tudo e tudo!

Depois de uma semana atribulada em que até um incêndio tivemos num estúdio em vésperas de sessão fotográfica, lá conseguimos não só chegar ao dia de Natal como também sobreviver às festividades!

Para o ano há mais se Deus e nós todos quisermos mas hoje já foi dia de trabalho.
E sendo dia de trabalho foi também o dia em que se deliberou que a SANDRA COSTA é a selecionada para o primeiro MAKEOVER!

Exactamente, leu muito bem; Sandra Costa!
A Sandra deu-nos 7 motivos para ser selecionada para o makeover mas eu vou só mencionar o primeiro "Porque eu mereço!" assim escreveu ela, e depois de lidos os restantes seis nós também achámos que sim, que ela o merecia.

Sandra Costa por favor, envie-me o seu numero de telefone por email.




terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cada mulher é um mundo muito para além do corpo que a recebe.


Não sei como ao fim de tantos anos me continua a espantar a maldade que por aí grassa!
Gente mesquinha, pequenina, poucochinha, quase as consigo visualizar a lamber os beiços, peço desculpa os beiços não, esta gente mesquinha para mim não tem beiços coisa que associo a lábios carnudos, imagino-as isso sim de lábios fininhos, quase sumidos de tanto se apertarem um contra o outro, já transformados num enrugado cú de galinha, anos a fio de invejas e maus amores... dizia eu que as imagino assim, tal e qual, agachadas num canto à espreita, sempre à espera de um deslize de alguém, de um alvo que se tenha sem querer posto a jeito, prontas a saltarem à goela da vitima que se deu à morte…
E foi assim que mais uma vez aconteceu.

Na Moda Lisboa deste ano Jessica Athayde, actriz, uma das melhores da sua geração, mulher real, com um corpo de gente real, emprestou o corpo à marca Cia Maritima e desfilou com roupa de praia e em biquini.
Logo vieram as tais, pôr-se em biquinhos de pés; ai aqui del-rey que é gorda, mal parida, que devia ter espelhos em casa, que é preciso não ter noção de coisa nenhuma e blá, blá, blá e blá, blá, blá…

Como disse uma amiga minha, se esta miúda está gorda levem-me já para abate e desmanchem-me para costeletas.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

E como é que cá chegaste?


Vocês não me venham dizer que isto não é perseguição!
Eu moro numa zona urbana, num 9º andar, num prédio alto e escarpado, sem canteiros, árvores ao pé, ou hera nas paredes!
COMO É QUE ESTE BICHO ME ENTROU EM CASA?!
Expliquem-me pelo amor de Deus porque eu juro que não percebo!

P.S. - A foto foi tirada ao bicho que se passeava no meu corredor de uma distância (e altura) de segurança considerável, e debaixo de um camadão de nervos, daí a qualidade da dita deixar assim um bocadinho a desejar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Um social anti-social?

Já há uns tempos que andava a ver no meu mural de facecoiso uns pedidos estranhos, mas habituada que já estou a ser bombardeada com convites para joguinhos e mais não sei o quê, nem liguei muito.
Afinal vai a ver-se e não era jogo nenhum; era só mais uma rede social.
Para anti-sociais...
Confuso?
Também eu!
Pois então diz que esta rede foi criada para combater o facebook (e pelos vistos está a ter um sucesso doido; por hora milhares de novos utilizadores aderem à Ello), não tem publicidade, - e promete que será sempre assim - não partilha dados pessoais se não o quisermos, só se entra por convite - e cada novo utilizador dispõe de 25 convites que pode distribuir por quem queira - e pode registar-se com um nome que não tem obrigatóriamente de ser o seu real.
Se quiser receber o convite tem de o pedir à Ello.


Venha o Diabo e escolha…

("um social anti-social" não havia uma canção assim?)

domingo, 21 de setembro de 2014

Essa doença filha da puta atrás da qual o Diabo se esconde!

"…Foi Aureliano quem concebeu a fórmula que havia de os defender durante vários meses das evasões da memória. Descobriu-a por acaso. Perito da insónia por ter sido dos primeiros, aprendera na perfeição a arte da ourivesaria. Um dia andava à procura de uma bigorna pequena que costumava usar para laminar os metais e não se recordou do seu nome. O pai disse-lho:"Tás." Aureliano escreveu o nome num papel e colou-o na base da bigornazinha: Tás. Assim teve a certeza de não o esquecer no futuro. Não lhe ocorreu que aquela fosse a primeira manifestação do esquecimento, porque o objecto tinha um nome difícil de recordar. Mas, poucos dias depois, descobriu que tinha dificuldade em lembrar-se de quase todas as coisas do laboratório. Então marcou-as com o nome respectivo, de modo que lhe bastava ler a inscrição para as identificar. Quando o pai lhe comunicou o seu alarme por ter esquecido até os acontecimentos mais impressionantes da sua infância, Aureliano explicou-lhe o seu método e José Arcadio Buendía pô-la em prática por toda a casa, impondo-o mais tarde a toda a aldeia. Com um hissope cheio de tinta , marcou cada coisa com o seu nome: mesa, cadeira, relógio, parede, cama, caçarola. Foi ao estábulo e marcou os animais e as plantas: vaca, cabra, porco, galinha, jucá, malanga, bananeira. Pouco a pouco, estudando as infinitas possibilidades do esquecimento, deu-se conta de que podia chegar o dia em que se reconhecessem as coisas pelas inscrições mas em que não se lembrasse da sua utilidade. Então foi mais explicito. O letreiro que colocou no cachaço da vaca era uma prova exemplar de como os habitantes de Macombo estavam dispostos a lutar contra o esquecimento: É esta a vaca. É preciso ordenhá-la todas as manhãs para que dê leite e é preciso ferver o leite para o misturar com café e fazer café com leite. Assim continuaram a viver numa realidade escorregadia, momentaneamente capturada pelas palavras mas que havia de fugir-lhes irremediavelmente quando se esquecessem dos valores da letra escrita."
in Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

sábado, 20 de setembro de 2014

O miúdo é que tinha razão!

Hoje pela manhã, quando se deu o incidente do copo, o miúdo disse-me:
- Mãe, isto é um sinal; como aqueles que aparecem aos americanos nas bolachas.
A cara de Jesus inscrita a chocolate! Digo-te que isto é um sinal!
Eu, pessoa pouco crente, sorri e não voltei a lembrar-me de tal; até há pouco.

Andava eu nos meus afazeres domésticos quando me pareceu ouvir um trovão.
E logo de seguida outro e mais outro, mas nada de chuva.
Trovoada seca pensei, mas como o brrrrum continuava prestei mais atenção; e foi então que percebi que aquilo que me soava como trovões, não eram senão as vozes dos deuses.

PMS e JRC digladiavam-se!
Pensei esconder-me debaixo da cama mas depois lembrei-me que é daquelas de gavetões e nem com os pés dobrados lá caberia dentro e vi-me assim obrigada a assistir, tremendo…

E estava eu nisto, meia escondida atrás de um cadeirão, quando ouvi o meu nome referido na contenda; dizia JRC que "...é obrigatória a menção do blogue da "gaja" onde …" "descobri a palavra:osexoeaidade,blogspot.com. ..."

Arrebitei de imediato as orelhas, ao mesmo tempo que franzi o sobrolho; pois se por um lado o ego se me inchou (que mais pode uma gaja almejar depois de ter o seu nome mencionado no Olimpo), por outro, e dando toda a razão a PMS quando já na véspera o tinha admoestado dizendo "… Fique o meu caro J. Rentes de Carvalho sabedor que "gajas" é coisa que um homem não pode dizer. Elas, as senhoras, podem dizê-lo entre si, encolher os ombros e passar adiante. A nós não nos é permitido tal…" irritei-me um tudo nada; pois está claro, que não, não pode!
Então que é lá isso? Andámos juntos na costura?!

Mas tinha retorquido JRC, apoiando-se no seu vocabulário de infância e também evocando a prosa queirosiana, que não, que ser um gajo não significava mais do que "ser cá da malta" e que assim sendo o seu feminino não significaria menos; ora assim sendo, ó JRC, venham de lá esses ossos!

O problema é que continuando refere que a menos que ao gajo se referissem como "  "...esse gajo é um fdp…" é que a coisa seria depreciativa, e aqui atentei no "ela" ( "...andava ela então pela Holanda" ) e um amargo de fel assomou-me à boca.
Mas não durou muito tempo este fel, não, porque, gentilíssimo, JRC me refere logo de seguida como Madame ("...Incomodava-me, não a fotografia do rosto da Madame…") o que me agitou energicamente a imaginação e de imediato me vi como uma Madame Claude dos tempos modernos, comandando hordes de exclusivíssimas cocottes.
Foi de golpe que decidi que, de longe, prefiro o termo gaja (mas só eu é que posso dizer está bem)!

E estava eu nervosíssima ao saber tão ilustre visita no meu humilde estaminé - é que não estando uma pessoa avisada nem sempre tem a casa arrumada e as criadas hoje em dia são aquilo que já se sabe, e no meu caso especifico com a zuca então... ui, ui… vá que há sempre uma champanhota gelada para quem chega - mas dizia eu que estava nervosíssima quando, tristemente, me dei conta de que não era de mim que JRC falava…

Que tristeza tão grande; ai que grande dor na alma; dizem que o coração não dói, ai não, que não dói!
Punhadas, senti eu!

É que está a ver o meu amigo JRC (estamos entre gajos não é verdade), no meu estaminé não se fala de " ...Louboutins, Blhaniks,  Dior, Chanel, Lamborghinis,  Bentleys, "gente linda", resorts e champanhe…" - bom, de champanhe até se fala mas falamos também de temas tão pertinentes e actuais como o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, - e eu tenho tanta, tanta pena de que, como afinal se veio a revelar, as suas visitas não sejam feitas à minha humilde morada; talvez tenha feito confusão...

Mas fica desde já o convite feito, e fique Vossência sabendo que vou imediatamente mandar a zuca limpar muito bem a casa, arejar tudo muito bem, arear tachos e panelas, escovar a gataria para dar lustro ao pêlo e dar banho à Mel - a bicha cadela cá de casa.

Dou-lhe a minha palavra d´honra que não terá com que se preocupar (e nem sequer aqueles assados que teve com o Conde de Calheiros aqui se repetirão. O seu quarto, uma vez atribuído, tal como a prateleira onde repousam os seus livros, nunca mais lhe será retirado! Nada tema).

Deixo-lhe então o meu endereço www.osexoeaidade.com , também poderá encontrar-me em osexoeaidade@gmail.com


P.S. - Mesmo "… o chapéu de ranchero paraguaio…" - que por acaso até é de Ibiza - ficará encatrafuado em sitio onde não o veja, e por isso não lhe causará qualquer incómodo.

Ambos os textos podem ser lidos na íntegra aqui e aqui.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Cenas de gaja #7

Uma gaja tem uma festa daquelas em bom que, manda o figurino, se use traje a rigor e salto bem alto.
O marido dentro de um avião, o filho a jantar com os amigos ela sozinha em casa e uma gaja põe-se a pensar que assim é que é bom e que assim ninguém a chateia e pode arranjar-se nas calmas ; uma gaja maquilha-se, perfuma-se, empoleira-se nas tairocas altas, vai para enfiar o vestido e…dá-se finalmente conta que se tinha esquecido que as costas do vestido fecham de alto a baixo com, pelo menos, uns trinta botões!
Ups…
E agora?

Uma gaja despe o vestido e abotoa tantos botões quantos os possíveis para ainda assim se conseguir enfiar lá dentro; uma gaja vira os braços ao contrário e tenta de todas as maneiras, chegar aos botões nas costas e fechá-los; sua as estopinhas enquanto continua a tentar alcançar os botões e lamenta não se ter dedicado ao contorcionismo desde pequenina.
Olhando para o relógio vê que começa a atrasar-se para sair se quer chegar a tempo mas, dos botões que faltam só conseguiu apertar um que, logo a seguir, se desapertou.
Começo a passar em revista todos os cromos que moram no meu prédio e questiono-me se será muito má ideia bater-lhes à porta e pedir que me apertem o vestido.

Telefono para o filho que vai a caminho do jantar de amigos e pergunto-lhe se já está muito longe e quando me pergunta porquê explico-lhe o meu problema com os botões…se estou a falar a sério? Então não estou?!
Salva!
O rapaz, perdido de riso, volta para trás e vem apertar-me os botões do vestido.

A festa foi linda que foi, estava tudo muito bom que estava, o champanhe estava bem fresquinho e tudo e tudo e tudo mas, agora que cheguei a casa e o miúdo não está, acho que vou ter de dormir vestida...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Por momentos pensei que tivesse sido o euromilhões...

MQT, que acorda e sai ainda de madrugada, envia-me todos as manhãs uma mensagem de bons dias, a uma hora que ele  imagina razoável e em que eu já estarei acordada.
Normalmente resulta, outras não e ainda me apanha com os olhos colados de sono.
Em chegando a mensagem, oiço o bip-bip da coisa e se:
a) estiver acordada
b) não me importar de acordar e fingir que estou desperta há imenso tempo
telefono-lhe de seguida para também lhe dar os bons dias e fazer um bocado de conversa.
Hoje foi dia da alínea b, e quando assim é custa-me um bocado ouvir bem as coisas à primeira quanto mais compreende-las…
Tudo o que eu ouvia a seguir ao "Bom dia meu amor" era um tom bastante entusiasmado na voz enquanto dizia qualquer coisa "…mais de um milhão!"
Qualquer pessoa teria feito o mesmo que eu; sentei-me e perguntei em tom também entusiasmado:
 - Ganhámos quanto no euromilhões?!
??????????????????????????????????????
- Ah, não… o blog é que passou um milhão de visitas…ah, tá bem; é bom, é bom…

E pronto, era só isso.


P.S. - opah, não se deixem enganar, estou aqui inchada de orgulho - tão inchada que o mais incauto pode mesmo pensar que sofro de obesidade mórbida - e mais feliz do que um pardal! Muito obrigada a todos os que aqui vêm vez após vez, sem nunca desistir, ainda que eu passe por fases em que não dou uma para a caixa e só faça patetices. 
OBRIGADA!




terça-feira, 9 de setembro de 2014

Fico azul quando os vejo desaparecer!


Ontem, encontrei no FB de um amigo esta foto que me trouxe à memória paredes de prédios e igrejas em Alfama, S. Vicente de Fora, Graça, na encosta do Castelo de S.Jorge e na casa dos meus pais.
A casa dos meus pais fica num antigo convento; a data da sua construção é anterior ao terramoto de 1755 (soubemos a data da sua construção quando há umas décadas, era eu ainda pequena, se fizeram obras na cave do edificio e atrás de uma parede falsa foram encontrados, para além de duas forcas (oh yeah!) uma quantidade tremenda de livros e plantas. Um dia, em tendo tempo e paciência, talvez vos venha a falar destes tesouros).
Logo que se passavam as duas grandes portas de madeira do edificio, pareciamos recuar no tempo; chão de laje grande já polida pelo tempo, azulejos de época nas paredes e uma enorme escadaria de madeira ladeada por grossos corrimãos em ferro, levavam-nos ao primeiro piso onde ainda se via, pasme-se, uma pia baptismal; para o andar seguinte a escada estreitava porque era por aí o acesso às celas dos monges.
Do convento original só este edificio sobrou; no terreno adjacente, à direita  ergueu-se o Hospital da Marinha e à esquerda havia uma antiga estância ou serração de madeiras.
Mas voltando ao tema, todo este belissimo edificio estava adornado com azulejos lindissimos; nuns casos painéis inteiros e noutros apenas fragamentos ou mesmo, como no caso da minha cozinha, um azulejo de cada nação, todos agrupados sem grande, ou nenhuma mesmo, preocupação estética compunham um pano de fundo azul e branco para os cozinhados da minha mãe.

Pelo meio da minha adolescência comecei a dar conta de que faltavam aqui e ali, na entrada do prédio alguns azulejos; passei a encontrar muitas vezes areia amarelada no chão e algumas vezes até lascas de azulejos (a camada de porcelana neste azulejos é deveras fininha e o restante azulejo é feito de uma mistura de areia assim, quando retirado à força e por mãos que levianas, esboroam-se e partem-se)
Por essa altura também, lembro-me de um feirante chico esperto, a Feira da Ladra é logo ali, ter abordado o meu pai, tal como fez a outros vizinhos, tentando convencer o meu pai a dar-lhe todos os azulejos da nossa cozinha em troco de uma cozinha nova que ele mandaria montar com os azulejos todos branquinhos, muito mais modernos e fáceis de limpar (sic).

Nunca aqueles azulejos dali sairam!
Até ao dia em que o prédio foi comprado e entrou em obras…

Uma entidade esquisita (para mim até hoje aquilo não é bem claro) comprou o prédio e entregou-o nas mãos de um empreiteiro manhoso; os inquilinos foram obrigados a sair temporariamente (claro que isto só depois de ter havido acidentes no prédio com gente a afundar-se soalho abaixo no piso, pernas partidas e afins…) e quando voltaram…tchanam!

CADÊ OS AZULEJOS?!
Nada nas paredes, nos muretes, nas cozinhas…NADA!
Um prédio centenário e majestoso tinha agora as paredes da entrada nuas, pintadas a tinta de areia, a escadaria de madeira foi substituida substituida por mosaico ranhoso, bem como todo o resto do chão, as paredes desta escada azulejos azul cueca, bem como foi feito prédio acima, e os corrimãos, senhores os corrimaos… o ferro pintado de cor-de-rosa!

Podia contar-vos mais atrocidades que foram feitas a este prédio porque as há, tantas e tantas (onde foi parar o palco que estava no salão desde os tempos da républica? E os livros?) mas penso que já tenham percebido porque me tocou tanto esta fotografia.

P.S - Ontem guardei este post para o publicar hoje e inacreditávelmente, acabo de encontrar este outro post sobre o mesmo tema; não sei mesmo se a foto que ontem encontrei não terá vindo, originalmente, de lá. Seja como for aqui fica o link para que se veja que mais gente é sensível a este tema.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

48 horas a bordo

Estúpidamente cansativo, mas também gratificante e divertido, assim foi o fim-de-semana passado.
48 horas a bordo, com uma tripulação de excelência, muito vento, muito mar, muito sol também e um primeiro lugar no papo.
Tenho o esqueleto todo torcido mas valeu bem a pena!

domingo, 10 de agosto de 2014

E foi assim que eu voltei a ser feliz!


Há um ano atrás, duas mensagens privadas no facebook do blog, devolveram-me à vida e arrancaram-me do poço escuro e fundo onde tinha caído.
Obrigada Senhor X e família, obrigada Laurinda e Fernanda, obrigada Pedros, Margarida, Sara e respectivo Pai, obrigada Nelson e Carla, obrigada Fátima, e obrigada a todos vós que ajudaram partilhando e acreditando que era possivel encontrá-la.
(Obrigada senhora que me telefonou da parte de São Francisco de Assis)